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A salvação provém do pequeno

· Missa em Santa Marta ·

A salvação de Deus não provém das coisas grandes, do poder ou do dinheiro, das facões clericais ou políticas, mas das coisas pequenas e simples que, por vezes, suscitam até indignação. Foi a meditação proposta por Francisco durante a missa celebrada na manhã de segunda-feira, 29 de fevereiro, na capela da Casa de Santa Marta.

«A Igreja prepara-nos para a Páscoa e hoje nos faz refletir sobre a salvação: como pensamos que é a salvação, aquela salvação que todos nós desejamos» afirmou Francisco. E precisamente a história «da doença de Naamã», narrada no segundo livro dos Reis (5, 1-15), «nos aproxima da realidade da morte: e depois?». Com efeito «a doença, evoca-nos sempre aquele pensamento: a salvação». Mas, questionou-se o Pontífice, «como se dá esta salvação? Qual é o caminho para a salvação? Qual é a revelação de Deus a nós cristãos sobre a salvação?».

Na opinião do Papa «a palavra-chave para compreender a mensagem de hoje da Igreja é indignação». Quando «Naamã, chegou à porta de Eliseu pedindo para ser curado, e este mandou-lhe dizer por um mensageiro que se lavasse sete vezes no Jordão. Algo simples». Talvez precisamente por isso «Naamã ficou indignado» exclamando: «Enfrentei uma viagem deste tipo, com muitos dons...»: pelo contrário, tudo acabou com um simples banho no rio. Além disso, acrescenta Naamã, «nós temos rios mais bonitos do que este».

Também «os habitantes de Nazaré – realçou Francisco referindo-se ao trecho evangélico de Lucas (4, 24-30) – ficaram indignados depois de ter ouvido a leitura do profeta Isaías, que Jesus pronunciou aquele sábado na sinagoga dizendo “hoje aconteceu isto”, que fala da libertação, de como o povo será libertado». E comentavam: «Mas ele, quem se julga ser? Este é um de nós, vimo-lo crescer desde criança, nunca estudou». E «indignaram-se» a ponto que «queriam matá-lo».

Ainda mais, prosseguiu o Papa, «depois de algum tempo Jesus sentiu este desprezo por parte dos dirigentes, os doutores da lei que procuravam a salvação na casuística da moral - “este pode até aqui, até ali...” - e assim tinham não sei quantos mandamentos e o pobre povo...».

Precisamente por isso as pessoas não tinham confiança neles. O mesmo acontecia com «os saduceus que procuravam a salvação nos compromissos com os poderes do mundo, com o império: uns com as facões clericais, outros com as fações políticas, procuravam a salvação deste modo». Mas «o povo intuía e não acreditava» neles. Ao contrário «acreditava em Jesus porque falava com autoridade».

«Mas por que esta indignação?» é a questão levantada pelo Pontífice. «Porque – sublinhou – no nosso imaginário a salvação deve provir de algo grande, de algo majestoso: salvam-nos só os poderosos, aqueles que têm força, dinheiro, poder, estes podem salvar-nos. Ao contrário «o desígnio de Deus é outro». E assim «indignam-se porque não podem compreender que a salvação provém só do pequeno, da simplicidade das coisas de Deus». E «quando Jesus faz a proposta do caminho da salvação, nunca fala de coisas grandes», só «de coisas pequenas».

Nesta perspetiva Francisco sugeriu que se relesse as bem-aventuranças evangélicas - «Serás salvo se fizerdes isto» - e o capítulo 25 de Mateus. São «os dois pilares do Evangelho: «Vens, vens comigo porque fizestes isto”». E trata-se de «coisas simples: tu não procuraste a salvação ou a tua esperança no poder, nas fações, nas negociações, não; fizeste simplesmente isto». Mas precisamente «isto indigna muitos».

«Como preparação para a Páscoa – propôs o Papa – convido-vos, eu também vou fazer o mesmo, a ler as bem-aventuranças e a ler Mateus 25, e a pensar e ver se algo disto me indigna, me tira a paz». Porque «a indignação é um luxo que só os vaidosos, os orgulhosos, se podem permitir».

Precisamente «no final das bem-aventuranças – explicou Francisco – Jesus diz uma palavra» forte: «Bem-aventurado é aquele que não se escandaliza de mim», ou seja, «que não despreza isto, que não sente desdém». E refletindo sobre as razões destas palavras, o Papa repetiu que «nos fará bem reservar um pouco de tempo – hoje, amanhã – e ler as bem-aventuranças, ler Mateus, e estar atentos ao que acontece no nosso coração: se há alguma indignação». E «pedir a graça ao Senhor de compreender que o único caminho da salvação é a loucura da cruz, isto é, a aniquilação do Filho de Deus, de se tornar pequeno». Na liturgia de hoje, concluiu, «o pequeno» é nomeadamente «representado pelo lavar-se no Jordão e pela pequena aldeia de Nazaré».

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22 de Setembro de 2019

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