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Sacerdotes incómodos e proféticos

· ​O Papa presta homenagem aos padres Primo Mazzolari e Lorenzo Milani ·

Nas pegadas de dois sacerdotes “incómodos” mas, cada um da sua maneira, “proféticos” – padre Primo Mazzolari e padre Lorenzo Milani – a visita do Papa Francisco a Bozzolo e Barbiana foi realizada inteiramente numa manhã. Apenas três horas, mas suficientes para repercorrer as pegadas do sacerdote lombardo, definido o “pároco da Itália” pelo seu inovador método de apostolado, e do “prior” que nas colinas do Mugello realizou um exemplar sistema educativo de vanguarda ao serviço dos mais pobres e dos necessitados.

Dois sacerdotes que o Pontífice reuniu num único trecho de estrada, repercorrendo com participação as suas vicissitudes humanas e religiosas, e reabilitando, de qualquer forma, a sua singular experiência pastoral, muitas vezes às margens e até contestada pelas hierarquias eclesiásticas da época. «O gesto que eu cumpri hoje – disse em particular perante os discípulos e os filhos espirituais de padre Milani – quer ser uma resposta àquele pedido reiterado várias vezes pelo padre Lorenzo ao seu bispo, ou seja, que fosse reconhecido e compreendido na sua fidelidade ao Evangelho e na retidão da sua ação pastoral».

Expressamente desejada pelo Papa «de forma reservada e não oficial», a visita de terça-feira 20 de junho teve o sabor da peregrinação interior. E em ambas as localidades a visita teve inicio, não por acaso, com um momento de oração junto dos túmulos onde estão sepultados os dois sacerdotes. Seguindo depois pelos lugares mais íntimos e familiares da vida deles: para o padre Mazzolari, a paróquia de São Pedro, onde passou os últimos vinte e sete anos depois de ter dedicado dez anos em Cicagnora; para o padre Milani, a igreja de Barbiana, com a casa paroquial-escola que hospedou a sua original experiência de educador e professor.

Para repropor a atualidade da mensagem do padre Mazzolari o Pontífice escolheu «três cenários» que «todos os dias enchiam os seus olhos e o seu coração: o rio, a quinta e a planície». Três lugares do coração para descrever o seu desejo de «mudar a Igreja e o mundo», o seu «olhar misericordioso e evangélico sobre a humanidade», a sua «caridade pastoral» aberta às expetativas e aos dramas da sua época: «as guerras, os totalitarismos, os conflitos fratricidas, a dificuldade da democracia em gestação, a miséria da sua gente».

Ao contrário, para reler o ensinamento do padre Milani, Francisco focalizou sobretudo a «paixão educativa» que alimentava o seu «objetivo de despertar nas pessoas o lado humano para as abrir ao divino». Uma paixão estritamente ligada à sua missão de sacerdote e animada pela vontade de «restituir aos pobres a palavra», ciente de que «sem a palavra não há dignidade e, por conseguinte, nem sequer liberdade e justiça». Daqui o apelo à responsabilidade dos educadores de hoje, chamados «a viver a liberdade de consciência de maneira autêntica, como busca da verdade, do belo e do bom, prontos a pagar o preço que isso comporta».

Discurso em Bozzolo

Discurso em Barbiana

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18 de Agosto de 2019

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