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Sacerdotes entre céu e terra

· Jubileu da misericórdia e cuidado da criação numa entrevista ao cardeal Stella ·

O sacerdote não pode viver sem o confessionário, o «lugar santo» no qual a misericórdia de Deus se encontra com a fragilidade humana. Ainda mais no ano jubilar, o sacerdote está chamado a redescobrir este aspecto do seu ministério e a vivê-lo com plena disponibilidade. Frisa nesta entrevista o cardeal Beniamino Stella, prefeito da Congregação para o clero.

«Um sacerdote que não é misericordioso faz tanto mal no confessionário» admoestou recentemente o Papa. Pensa que os sacerdotes estão suficientemente formados para este ministério?

Seria suficiente recordar o que Francisco escreveu na Evangelii gaudium: os crentes nunca deixam de ser discípulos a caminho e, por isso, «o sacerdote, como a Igreja, deve crescer na consciência da sua necessidade permanente de ser evangelizado». No ano santo extraordinário, isto significa voltar a aprender do coração de Cristo, rosto da misericórdia do Pai. Nós nunca estamos prontos para isto, porque o pastor tem sempre a tentação de querer «concertar» as coisas, de ter que legislar e estabelecer normas. Por vezes a ansiedade do controle ou da gestão das situações leva o sacerdote a tornar-se um “homem das regras”, comodamente tranquilizado pelos seus esquemas, em vez de estar jubilosamente disponível para o Espírito Santo. Assim, até sem o querer, ele pode tornar-se incline a julgar, ter dificuldade de ser animador das diversas sensibilidades, não conseguir admitir a diversidade de opiniões e, no final, agir segundo critérios de justiça humana, tornando-se assim um rígido “controlador da graça divina”, e não um instrumento do amor de Deus. Mas a misericórdia de Deus excede os critérios do coração humano e esta deve ser a escola permanente do ministério sacerdotal.

Como pode um sacerdote expressar concretamente a misericórdia de Deus?

O sacerdote, pelo dom recebido e não certamente pelos seus merecimentos, é um ministro da misericórdia divina. Ele manifesta-a ao mundo antes de tudo vivendo, na própria carne, a beleza e ao mesmo tempo o “drama” deste paradoxo: é um pecador chamado a dispensar a misericórdia de Deus aos outros. Portanto, o sacerdote deve viver antes de tudo na própria experiência pessoal a graça do perdão, senão dificilmente conseguirá comunicar o desejo de Deus de elevar a nossa vida da lama do pecado.

Hoje os sacerdotes dedicam tempo adequado ao ministério do confessionário?

Diria que é necessário, que os sacerdotes, se apaixonarem de novo pelo ministério da reconciliação, dedicando tempo, espaços e coração aos penitentes que desejam voltar a Deus. Nunca será desperdiçado o tempo que um sacerdote dedica no confessionário, pondo-se à disposição para a escuta, se possível até com horários e modalidades determinadas.

Como se manifestam na vida de uma comunidade?

Um sacerdote que confessa, até sem o saber, regenera o ambiente onde as pessoas vivem porque, através da graça sacramental, restitui-as a uma coragem nova, a uma disponibilidade mais generosa em relação ao bem, a um desejo renovado de caridade para com os irmãos. Talvez muitas vezes se subestime o valor social e público deste sacramento e os efeitos reais e concretos que pode ter sobre a ecologia humana da comunidade.

Nicola Gori

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14 de Outubro de 2019

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