Nota

Este site utiliza cookies...
Os cookies são pequenos arquivos de texto que ajudam a melhorar a sua experiência de navegação no nosso site. Ao navegar em qualquer parte deste site você autoriza a utilização dos cookies. Poderá encontrar maiores informações sobre a policy dos cookies nas Condições de utilização.

​A revolução
de Maria

No dia da Imaculada, o Papa Francisco triplicou a tradicional homenagem que os Pontífices prestam a Maria: não só foi à coluna a Ela dedicada na praça de Espanha, mas depois rezou diante do ícone que lhe é muito querido, conservado em Santa Maria Maior, e em seguida na igreja de Santo André “delle Fratte”, lugar de uma aparição milagrosa. Gestos que não causam impressão num Papa que, desde o início, revelou uma devoção particular a Nossa Senhora com as numerosíssimas visitas à imagem da Salus populi Romani e aos santuários marianos durante as suas viagens.

Esta sua predileção, acompanhada por um estilo de comunicação muito simples, que todos entendem, levou muitos a etiquetá-lo como um Pontífice perto do povo, das suas devoções. Para o dizer de modo menos diplomático, um Papa considerado um pouco demasiado simples, excessivamente modesto, desprovido de profundidade teológica. Mas estes observadores foram apressados e superficiais, sem ouvir o verdadeiro significado das palavras de Bergoglio, que não só são compreensíveis, mas também cheias de ensinamento teológico e espiritual.

Com efeito, no Angelus de ontem, dedicado ao episódio evangélico da Anunciação, o Pontífice aprofundou o significado das primeiras palavras que o anjo dirigiu a Maria, «cheia de graça», o que quer dizer que «Maria é cheia da presença de Deus. E se é inteiramente habitada por Deus, nela não há lugar para o pecado. É algo extraordinário, porque no mundo infelizmente tudo está contaminado pelo mal». É uma reflexão sobre o dogma da Imaculada Conceição que leva a ver em Maria, ser humano único e especial, precisamente uma unicidade — ser cheia da presença de Deus — diretamente ligada à maternidade, ou seja, à sua corajosa aceitação de se tornar medianeira entre Deus e a humanidade, permitindo a Encarnação.

A devoção mariana não é apenas protetora, mas leva ao centro da fé cristã, ao cerne do mistério da Encarnação, sem a qual não haveria o cristianismo. Portanto, a nova religião nasce da coragem de uma mulher muito jovem, à qual Deus pediu a autorização para realizar o milagre. A aceitação de Maria diante de uma perspetiva misteriosa e sobretudo socialmente muito perigosa para ela — um filho que nasce fora do casamento — abre as portas à salvação da humanidade.

Até uma simples reflexão — como o Papa Francisco bem sabe — sobre este episódio quase incrível, numa sociedade na qual a vontade das mulheres nem sequer era considerada, faz entender o alcance revolucionário do ensinamento de Jesus. Como canta a própria Maria no Magnificat, o Salvador vem para derrubar as hierarquias sociais, para estabelecer uma nova ordem na qual os frágeis (e as mulheres, frágeis entre os frágeis) teriam mais importância do que os poderosos. Portanto, evocar Maria quer dizer despertar o poder revolucionário do ensinamento evangélico e recordar a uma instituição que se apresenta como compactamente masculina, que deve tudo a uma mulher.

Edição em papel

 

AO VIVO

Praça De São Pedro

22 de Janeiro de 2018

NOTÍCIAS RELACIONADAS