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A revolução caminha

· Trinta fotógrafos para o jubileu de Francisco ·

As palavras do Papa Francisco, desde o início do pontificado, trouxeram aos nossos olhos o sofrimento do mundo, a marginalização, a pobreza. Pobres, periferias, lágrimas: palavras obsoletas que voltaram, com as suas intervenções, de maneira prepotente à ribalta, juntamente com o apelo à misericórdia, escreve Lucetta Scaraffia: uma misericórdia ativa, que deve transformar-se em capacidade concreta de incidir no mundo, de contrastar o mal com o bem. A lista de sofrimentos evocados todos os dias não deve apenas atormentar os nossos corações, mas tornar-se ocasião para mudar a nossa vida, para lhe dar significado intervindo para ajudar os sofredores.

Mas no nosso mundo as palavras não contam, nem sequer as do Papa. Estamos habituados a fazer-nos tocar o coração somente pelas imagens, ou seja, filmes e fotografias. O nosso coração só se comove quando vê, só depois de ter visto com os nossos olhos somos capazes de fazer algo de bom. E nem sempre as imagens da televisão e dos jornais restituem fielmente o que acontece: as razões deste silêncio são numerosas, em primeiro lugar a dificuldade de se encontrar precisamente ali, onde as piores desventuras acontecem. E nem sempre os fotógrafos sabem colher num rosto, numa mão, num gesto, a potência do drama. Só os grandes fotógrafos, os artistas, o sabem fazer.

Por conseguinte, é muito importante e oportuna a iniciativa «My Jubilee» - de ArtsFor em colaboração com a fundação «Ente dello Spettacolo» – de dar visibilidade às palavras do Papa através das imagens de grandes fotógrafos, colaboradores de uma das maiores agências fotográficas do mundo, a Magnum. De facto, não é um evento secundário que para Francisco se tenha mobilizado precisamente esta agência, nascida em 1974 como cooperativa que reunia os maiores fotógrafos do momento (Robert Capa, Henri Cartier-Bresson, George Rodger, David Seymour). Ainda hoje é uma das mais prestigiosas e influentes do mundo, reúne fotógrafos independentes, com sede em Nova Iorque, Londres, Paris e Tóquio.

Inicia assim uma colaboração entre trinta fotógrafos de grande fama, talvez inclusive distantes da religião e – precisamente devido à dura profissão que desempenham – desencantados, e o chefe visível da Igreja. Trata-se de uma novidade importante, que faz compreender como as palavras do Papa voam alto, quanto a misericórdia por ele invocada para o jubileu possa comover pessoas que talvez não se sintam parte da Igreja, a ponto de as tornar testemunhas da sua mensagem. Assim, com passos pequenos mas significativos, a revolução da misericórdia caminha: vendo aqueles rostos devastados, aqueles gestos desesperados, cada ser humano sente-se interpelado no fundo do seu coração. E torna-se assim mais difícil construir muros, expulsar refugiados (e dar o próprio voto a quem promete fazê-lo).

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22 de Outubro de 2019

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