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​Reencontrado o túmulo de Marianela García Villas

É o dia 13 de Março de 1983 quando, com apenas 34 anos, Marianela García Villas é torturada e assassinada, três anos depois do homicídio do arcebispo com a qual a jovem tinha compartilhado batalhas e esperanças. Como Romero e outras centenas de milhares de pessoas, também ela vítima do regime sanguinário que governou o país durante muito tempo. Tendo nascido em El Salvador, em 1948, desde a adolescência Marianela, filha da rica burguesia, fica impressionada com as injustiças sociais. Durante os estudos universitários (licenciar-se-á em jurisprudência) começa a fazer parte da Acção católica e forma-se com uma tese sobre os documentos do Concílio e de Medellín, e analisando os textos sobre a teologia da libertação. Ao estudo segue-se depressa a militância na Democracia cristã, enquanto começa e identificar-se com os últimos. Em 1974 entra no Parlamento, graças ao apoio das mulheres dos mercados, mães e esposas de periferia que a viram combater no tribunal para defender, como advogado, os seus homens e os seus direitos. Sucessivamente, começa a visitar as famílias que habitam nas regiões mais difíceis. No entanto, o compromisso que mais absorve as suas energias é o de presidente da Comissão para os direitos humanos em El Salvador, uma realidade fundamental para conhecer a verdade sobre a história contemporânea do país. Expulsa do partido, Marianela começa a imortalizar com a sua máquina fotográfica o rosto mais cruel do regime, recolhendo imagens de cadáveres abandonados à margem das estradas ou reencontrados debaixo da terra depois de dias de procura, devastados pelas torturas. As fotografias contribuem para dar respostas ao desespero dos familiares e para documentar um horror que tem a pretensão de negar a evidência. Ela foi a vítima civil número 43.337, e durante muito tempo, até mesmo depois da sua morte, a ditadura continuou a defini-la guerrilheira subversiva, enquanto a abogada del pueblo, inclusive na escolha da não-violência, estava em absoluta sintonia com Romero. Se ao longo dos anos o mundo chegou gradualmente ao conhecimento da verdadeira história desta jovem, agora um novo elemento veio a acrescentar-se: com efeito, a associação Marianela García Villas, de Sommariva del Bosco (Cuneo, Itália), conseguiu identificar o túmulo da jovem mártir, reencontrada no cemitério principal de San Salvador, numa capela fechada por um portão, com a inscrição Beneficiencia española (o pai era espanhol). «Finalmente — comentou a associação — quem quiser pode levar uma flor ao seu túmulo». 

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22 de Agosto de 2019

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