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Recomeçou-se pelo matriarcado

Não obstante o heroísmo e a coragem do povo paraguaio, a guerra concluiu-se com um massacre para o Paraguai, dada a evidente desproporção das forças em acção. Entre as consequências deste conflito, houve também um desastre demográfico: o país perdeu entre 50 e 85 por cento da população, e talvez 90 por cento da população masculina adulta. O historiador argentino Felipe Pigna realizou um estudo no qual demonstrou que a população passou de 1,3 milhões de habitantes para 0,3: praticamente ficaram só mulheres e crianças. A British Encyclopaedia de 1911 calculou que a população paraguaia passou de 1.337.439 habitantes para 221.079 sobreviventes, ou seja, apenas 17% do total.

Cándido López, «Tríplice aliança» (século XIX)

Praticamente, o Paraguai tinha deixado de existir como comunidade organizada e economicamente desenvolvida. Havia apenas viúvas, órfãos, mães, filhas e irmãs indefesas, que apesar de tudo decidiram levar em frente um país reduzido a cinza, fazendo sobreviver a sua fé, a sua língua e a sua cultura. O matriarcado que surgiu naquele momento permitiu que o Paraguai não morresse. As nossas mulheres cheias de coragem, força de ânimo, prontas ao sacrifício, de coração nobre e generoso, as nossa antepassadas, as nossas trisavós, bisavós, a garra guaraní do Adn das mulheres paraguaias.

Alguns comandantes da Tríplice aliança queriam matar os paraguaios ainda antes de nascerem. «De quantas vidas e de quantos recursos temos necessidades para pôr fim à guerra, ou seja, para transformar em fumaça e poeira toda a nação paraguaia, para matar até o feto no útero da mulher paraguaia?» perguntou o duque de Caxias, Luis Alves de Lima e Silva, comandante aliado do Brasil. Pelo contrário, as mulheres do Paraguai escolheram pelo contrário dar à luz os filhos e reconstruir assim a família paraguaia, consolidada depois nos seus fundamentos pela acção pastoral de grandes figuras da Igreja como monsenhor Juan Sinforiano Bogarín.

Depois de cinquenta anos o afecto que o Papa Francisco expressou às mulheres paraguaias, ao recordar aqueles acontecimentos históricos, motivados por interesses mesquinhos, que tiveram consequências inesperadas e cruéis, permite que nos reencontremos, nos revalorizemos e recordemos as nossas raízes e procuremos curar as feridas daquele momento tão trágico.

Romina Taboada Tonina
Embaixada do Paraguai junto da Santa Sé

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17 de Agosto de 2019

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