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Quem reza nunca está sozinho

· No Angelus de domingo Bento XVI reflectiu sobre o Pai-Nosso e recordou as vítimas de Duisburg ·

A oração do Pai-Nosso «não é um pedir para satisfazer as próprias vontades, mas antes para manter viva a amizade com Deus». Explicou o Papa durante o Angelus de domingo, 25 de Julho, festa litúrgica de São Tiago o Maior. De Castel Gandolfo Bento XVI dirigiu também uma saudação aos peregrinos que foram em grande número a Santiago de Compostela.

Queridos irmãos e irmãs!

O Evangelho deste domingo apresenta-nos Jesus recolhido em oração, um pouco retirado dos seus discípulos. Quando terminou, um deles disse-lhe: «Senhor, ensina-nos a orar» (Lc 11, 1). Jesus não fez objecções, não falou de fórmulas estranhas nem esotéricas, mas com muita simplicidade disse: «Quando orardes, dizei: Pai», e ensinou-lhes o Pai-Nosso (cf. Lc 11, 2-4), tirando-a da sua própria oração, com a qual se dirigia a Deus, seu Pai. São Lucas transmite-nos o Pai-Nosso numa forma mais breve em relação à do Evangelho de São Mateus, que entrou no uso comum. Estamos diante das primeiras palavras da Sagrada Escritura que aprendemos desde crianças. Elas imprimem-se na memória, plasmando a nossa vida, acompanham-nos até ao último respiro. Elas revelam que «não somos já de modo completo filhos de Deus, que no-lo devemos tornar e sê-lo cada vez mais mediante a nossa comunhão sempre mais profunda com Jesus. Ser filho torna-se o equivalente a seguir Cristo» (Bento XVI, Gesù di Nazaret, Milão 2007, p. 168).

Esta oração acolhe e expressa também as necessidades humanas materiais e espirituais: «Dai-nos em cada dia o pão da nossa subsistência; perdoai-nos os nossos pecados» (Lc 11, 3-4). E precisamente por causa das necessidades e das dificuldades de cada dia, Jesus exorta com vigor: «Digo-vos, pois: Pedi e dar-se-vos-á; quem procura encontra e ao que bate, abrir-se-á» (Lc 11, 9-10). Não é um pedir para satisfazer as próprias vontades, quanto ao contrário para manter viva a amizade com Deus, o qual – diz sempre o Evangelho – «dará o Espírito Santo àqueles que lho pedirem» (Lc 11, 13). Experimentaram-no os antigos «padres do deserto» e os contemplativos de todos os tempos, que se tornaram, pela oração, amigos de Deus, como Abraão, que implorou o Senhor para que poupasse os poucos justos do extermínio da cidade de Sodoma (cf. Gn 18, 23-32). Santa Teresa de Ávila convidava as suas irmãs de hábito, dizendo: «devemos suplicar a Deus para que nos liberte definitivamente de qualquer perigo e nos preserve de todo o mal. E por mais imperfeito que seja o nosso desejo, esforcemo-nos por insistir com este pedido. O que nos custa pedir muito, visto que nos dirigimos ao Omnipotente?» (Cammino, 60 (34), 4, em Opere complete, Milão 1998, p. 846). Todas as vezes que recitamos o Pai-Nosso, a nossa voz entrelaça-se com a da Igreja, porque quem reza nunca está sozinho. Cada fiel deverá procurar e poderá encontrar na verdade e na riqueza da oração cristã, ensinada pela Igreja, o próprio caminho, o seu modo de oração... portanto deixar-se-á conduzir... pelo Espírito Santo, o qual o guia, através de Cristo, para o Pai» (Congregação para a Doutrina da Fé, Alguns aspectos sobre a meditação cristã, 15 de Outubro de 1989, 29 aas 82 [1990], 378).

Celebra-se hoje a festa do apóstolo São Tiago chamado «o Maior», o primeiro dos Apóstolos, que deixou o pai e o trabalho de pescador para seguir Jesus e por Ele deu a vida. Dirijo de coração um pensamento especial aos peregrinos que foram em grande número a Santiago de Compostela! A Virgem Maria nos ajude a redescobrir a beleza e a profundidade da oração cristã.

No final da prece mariana o Santo Padre saudou em várias línguas os fiéis presentes, recordando de modo especial as jovens vítimas de Duisburg, e dizendo aos de expressão portuguesa:

Queridos irmãos e irmãs, foi com profunda dor que tomei conhecimento da tragédia ocorrida em Duisburg, na Alemanha, da qual foram vítimas numerosos jovens. Recordo ao Senhor na oração os defuntos, os feridos e os seus familiares.

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8 de Dezembro de 2019

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