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Quando um amor falha

· Missa em Santa Marta ·

Quando um amor falha as pessoas não devem ser condenadas mas acompanhadas, recomendou o Papa Francisco na missa celebrada na sexta-feira 28 de Fevereiro na capela da Casa de Santa Marta. A beleza e a grandeza do amor, disse o Pontífice, reconhecem-se já com a obra-prima da criação, narrada no Génesis, e escolhida pelo próprio Deus como «ícone» para explicar a essência do amor entre o homem e a mulher. Mas também entre Cristo e a Igreja.

O Evangelho de Marcos narra que os fariseus, a fim de o pôr à prova, apresentam a Jesus «o problema sobre o divórcio». Quantos desejavam pôr Jesus em dificuldade recorriam sempre à «casuística» perguntando-lhe se o caso era lícito ou não.

A «cilada» que queriam fazer a Jesus está relacionada com este modo de ver. Porque, advertiu o Papa, «por detrás da casuística, do pensamento casuístico, existe sempre uma armadilha!» Como a pergunta que os fariseus fazem a Jesus se «é lícito a um marido repudiar a própria esposa». E Jesus responde antes de mais perguntando-vos «o que diz a lei, explicando por que Moisés fez aquela lei».

Contudo, o Senhor não se detém naquela primeira resposta e «da casuística vai ao centro do problema»; e releu o trecho no qual o Senhor «se refere à obra-prima da criação». De facto, «criou a luz e viu que era boa». Depois «criou os animais, as árvores, as estrelas: tudo bom». Mas «quando criou o homem», chegou a dizer que «era muito bom». Com efeito, «a criação do homem e da mulher é a obra-prima da criação». Também porque Deus «não quis que o homem ficasse sozinho: desejou que tivesse uma companheira, uma companheira de caminho».

Este foi também o momento, disse o Pontífice, do «início do amor», «tão poético» este encontro de Adão e Eva. A eles Deus recomenda que continuem «como uma só carne». De facto, advertiu o Papa, «esta obra-prima não acabou nos dias da criação». O Senhor escolheu este ícone para explicar «o amor que sente pelo seu povo». E assim «como o Pai desposou o povo de Israel, Cristo desposou o seu povo».

«Esta – afirmou o Papa – é a história de amor. A história da obra-prima da criação. E diante deste percurso de amor, deste ícone, a casuística sucumbe e torna-se sofrimento». Dor diante da falência: «Quando alguém deixa pai e mãe e se une a uma mulher, tornam-se uma só carne e vão em frente, quando este amor falha – porque muitas vezes acontece – devemos sentir a dor da falência». E nesses momentos «as pessoas devem ser acompanhadas». Não devemos «condenar» mas «caminhar ao lado delas». E sobretudo «não fazer casuística da sua situação».

Tudo isto faz pensar – prosseguiu o Pontífice – num «desígnio de amor», no «caminho de amor do matrimónio cristão que Deus abençoou na obra-prima da sua criação, com uma bênção da qual nunca privou ninguém, nem sequer com o pecado original».

O Papa Francisco concluiu a sua meditação pedindo ao Senhor a graça de compreender este mistério «e de nunca cair nestas atitudes casuísticas dos fariseus e dos doutores da lei».

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19 de Setembro de 2019

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