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Quando consertar é mais ecológico do que reciclar

· O Dia mundial da terra de 2012 ·

Ao chegar hoje à sua quadragésima segunda edição, o Dia mundial da terra tornou-se um evento internacional que recorda o compromisso de todos em relação ao planeta, na consciência de que o meio ambiente não é defendido só pelo receio de que os recursos acabem, mas pela certeza de que nada é realmente inútil e, portanto, nada se pode desperdiçar.

Infelizmente, esta sociedade produdora de lixo, cuida só de alguns limitados recursos e  faz isto unicamente por medo que se esgotem: uma sociedade que por conseguinte gera  um ambientalismo minimalista. Então não nos surpreendamos se diante da poluição galopante existe uma cultura que pretende resolver determinados problemas através de subterfúgios atrofiados em vez de intensificar a sustentabilidade ambiental.

A vida nas sociedades ocidentais está a  tornar-se menos natural, mas  em vez de a melhorar  são lançados no mercado remédios ou tratamentos para evitar os danos ou fornecer quimicamente o que a natureza oferece em abundância.

Contudo, existe um ambientalismo que não se movimenta só porque se sente perseguido pelo temor de que os recursos acabem. Mas porque é impulsionado pela consciência social e humana de que cada coisa tem um sentido, e por isso nada deve ser deitado fora, desperdiçado ou manchado, dado que tudo tem valor. É o ambientalismo que faz referência às descobertas  sobre complexidade, harmonia e caos na natureza realizadas pelo prémio Nobel Ilya Prigogine, cujo alterego italiano, o químico ecologista Enzo Tiezzi, escrevia significativamente no livro The End of Time (2003): «Obedecer às leis da natureza, respeitá-las, não significa renunciar à própria liberdade». Foi um ambientalismo elevado que o levou a posicionar-se contra as manipulações genéticas sobre o homem e os ecologistas do Greenpeace na Europa a combater pela interrupção da patenteabilidade das células embrionárias humanas.

Este ambientalismo, centrado na beleza e não no medo, faz com  que as regras ecológicas e  as estratégias comunicativas sejam revistas de modo compartilhado, sustentável e criativo. Como explicava Ken Peattie (universidade de Cardiff) na revista «Science», «apostar   sobre os benefícios de um estilo de vida mais natural demonstrou-se um caminho melhor para limitar os consumos». Para a ecologista Julia Hailes também a tendência à   reciclagem  deve deixar espaço aos  consertos e à reutilização do bem: «Consertar um computador é vinte vezes mais ecológico do que o reciclar».

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