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Qual é a alegria do bispo

· Homilia em Santa Marta ·

«Os sentimentos de um bispo» ou «a alegria de um bispo». Foi precisamente o Papa Francisco quem indicou o título ideal para o trecho da Carta de são Paulo aos Filipenses 2, 1-4) proposto pela liturgia de segunda-feira 3 de Novembro. E alertou contra o perigo da rivalidade e da vanglória que ameaçam a vida da Igreja, onde ao contrário é necessário fazer tesouro das indicações de Jesus e também de Paulo: não procurar o próprio interesse mas servir humildemente os outros sem pedir nada em troca. Foi sobre este tema que centrou a homilia da missa que celebrou na capela da Casa de Santa Marta.

Paulo desenvolve estes conselhos práticos, explicou o Pontífice, num texto onde «mostra quais são os seus sentimento para com os Filipenses: talvez a Igreja de Filipos fosse a que ele mais amava». E «começar por pedir um favor». Com efeito, escreve «Se houver alguma consolação, algum conforto, fruto da caridade, alguma comunhão de espírito, sentimentos de amor e de compaixão», em síntese «se vós sois assim, peço-vos este favor: tornai plena a minha alegria».

Portanto, Paulo pede expressamente aos Filipenses que «tornem plena a alegria do bispo». E «qual é a alegria do bispo? Qual é a alegria que Paulo pede à Igreja e aos Filipenses?» A resposta é «ter um mesmo sentir com a mesma caridade, permanecendo unânimes e concordes». Eis então que «Paulo, como pastor, sabia que este é o caminho de Jesus. E, também, que esta é a graça que Jesus, na oração depois da Ceia, pediu ao Pai: a unidade; a concórdia; que os discípulos permanecessem homem unânimes e concordes na mesma caridade e no mesmo sentir, ou seja, a harmonia da Igreja».

«Todos sabemos – explicou Francisco – que esta harmonia é uma graça: obra do Espírito Santo, mas devemos fazer a nossa parte, para ajudar o Espírito Santo a realizar esta harmonia na Igreja»; e também «para ajudar a compreender aquilo que ele pede à Igreja». O Espírito, com efeito, «dá conselhos, digamos assim, por vias negativas: isto é, não façais isto, não façais aquilo!». E «o que não devem fazer os Filipenses?». É Paulo quem o diz: «Não façais nada por rivalidade ou vanglória». E assim, observou o Papa, «vê-se que isto não é algo relacionado só com o nosso tempo», mas «vem de longe».

Por conseguinte, Paulo recomenda que não se faça nada por «rivalidade», que não «se lute um contra o outro, nem sequer para demonstrar que somos melhores do que os outros». E «quantas vezes – observou o bispo de Roma – nas nossas instituições, na Igreja, nas paróquias, por exemplo, nos colégios, encontramos rivalidades e vanglória».

Para não cair nestas tentações «o que aconselha Paulo?». Escreve-o aos Filipenses: «Cada um de vós, com toda a humildade – o que deve fazer com humildade? - considere os outros superiores a si mesmo». Paulo «sentia isto», a ponto que «ele se qualifica indigno de ser chamado apóstolo». Isto era «um sentimento seu: pensar que os outros eram superiores a ele».

Na mesma linha, Francisco recordou o testemunho do santo peruano Martino de Porres, humilde frade dominicano, do qual a 3 de Novembro se celebra a memória litúrgica. «A sua espiritualidade – explicou – consistia no serviço, porque sentia que os outros, também os maiores pecadores, eram superiores. Sentia-o deveras». Além disso, «é um do nosso tempo que vivia assim», com «humildade».

«A alegria do bispo – reafirmou portanto o Papa – é esta unidade da Igreja: humildade, sem rivalidade nem vanglória». E depois Paulo continua: «Não procuremos o nosso próprio interesse, mas o dos outros». Portanto, é necessário «procurar o bem o próximo. Servir o próximo». É precisamente «esta a alegria de um bispo quando vê a sua Igreja assim: um mesmo sentir, a mesma caridade, permanecendo unânimes e concordes». E «esta é a atmosfera que Jesus quer na Igreja. Podemos ter opiniões diferentes, tudo bem! Mas sempre nesta atmosfera, neste clima de humildade e caridade, sem desprezar ninguém».

Paulo exorta a «não olhar exclusivamente para o próprio interesse». E é «triste – disse Francisco – quando nas instituições da Igreja, de uma diocese, encontramos nas paróquias pessoas que procuram o seu interesse, não o serviço, não a amor». É quanto diz também Jesus no Evangelho, recordando-o na parábola de Lucas (14, 12-14).

«Quando numa Igreja – frisou o Pontífice – há harmonia, unidade, não se procura o próprio interesse, há esta atitude de gratuitidade». Assim «eu faço o bem» e não «um negócio com o bem». Ao contrário, existe ao nosso redor «um hábito ao utilitarismo»; mas «a caridade que Paulo pede rejeita o utilitarismo».

Francisco sugeriu que pensemos durante o dia sobre «como é a minha paróquia» ou «como é a minha comunidade». E a perguntarmos se esta realidade e todas as nossas instituições, têm «este espírito de sentimentos de amor, de unanimidade, de concórdia, sem rivalidade nem vanglória». Vivem «com humildade e pensando que os outros são superiores a nós?». Existe realmente «este espírito» ou «talvez pensemos que se pode melhorar alguma coisa?». Então – exortou – é bom questionar-nos «hoje como posso melhorar isto». E seguir o conselho de Paulo, «para que a alegria do bispo, seja plena; para que a alegria de Jesus seja plena».

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19 de Setembro de 2019

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