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Qual Brasil pós-Dilma

· Dilma Rousseff destituída ·

Um sinal positivo, depois de muitos meses de contração, acompanhou estes dias os dados relativos às exportações brasileiras. Ao dar esta notícia, alguns jornais internacionais consideram o dado favorável a Michel Temer que no dia 1 de setembro fez o juramento como trigésimo sétimo presidente do Brasil.

Outros meios de comunicação afirmaram contudo que não obstante os flexíveis sinais de recuperação estejam ligados ao afastamento de Dilma Rousseff a qual, pouco antes do juramento de Temer, com uma votação no senado (61 a favor e 20 contrários) fora destituída do cargo de chefe de Estado.

Além das leituras difíceis de indicadores económicos, pode-se delinear que o voto conclusivo do processo de impeachment contra Dilma Rousseff pôs fim a um período muito complexo da história brasileira. Um período marcado por inéditas tensões sociais, políticas e institucionais que levaram a uma polarização perigosa, evidente inclusive nas redes sociais, nas quais nestes meses se multiplicaram os confrontos entre os defensores e os opositores de Dilma. Os primeiros afirmavam que a ex-presidente era vítima de um golpe institucional, como ela mesma reiterou diante do Senado reunido para decidir o seu destino político. Os segundos acusavam-na de ser parte integrante daquele sistema corrupto que abalou o colosso estatal da energia, a Petrobras.

Para dizer a verdade o escândalo da Petrobras tocou levemente Rousseff enquanto arrasou literalmente as carreiras de muitos outros representantes do Partido dos trabalhadores (PT). Dilma (no Brasil costuma-se chamar todos pelo nome de batismo) foi acusada por ter falsificado as despesas públicas, desenhando uma situação do país muito mais serena do que a real, que ao contrário era deveras difícil. Rousseff negou todas as acusações, mas o mínimo histórico a que chegou o sua popularidade muito antes do impeachment deve-se à catastrófica situação económica que ela, segundo as acusações, teria tentado esconder.

O Brasil, no arco de poucos anos, passou de uma condição de brilhante país emergente, com um crescimento galopante, para uma crise fortíssima. E crise significa menos emprego e mais insatisfação. Para alguns meios de comunicação – os mesmos que põem em relação direta o melhoramento das exportações com a destituição de Dilma Roussefff – a difícil conjuntura económica seria devida essencialmente às escolhas dos governos guiados pelo PT, isto é os de Dilma e, antes ainda, os de Lula. Executivos «culpados» por despesas exageradas a favor das classes mais pobres, destinatárias de programas caríssimos de desenvolvimento social. Isto, além de ampliar a presença do Estado na economia, levou a um aumento vertiginoso da dívida pública, subtraindo recursos aos investimentos e afastando os investidores já desencorajados pela corrupção.

Giuseppe Fiorentino

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16 de Outubro de 2019

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