Nota

Este site utiliza cookies...
Os cookies são pequenos arquivos de texto que ajudam a melhorar a sua experiência de navegação no nosso site. Ao navegar em qualquer parte deste site você autoriza a utilização dos cookies. Poderá encontrar maiores informações sobre a policy dos cookies nas Condições de utilização.

Portugal, porta de entrada e de saída

· Em diálogo com Dom Manuel Clemente nas vésperas do consistório no qual recebeu a púrpura ·

Com «simplicidade e alguma surpresa» recebeu a notícia da elevação à dignidade cardinalícia Dom Manuel José Macário do Nascimento Clemente, novo patriarca de Lisboa, sede patriarcal que – afirmou na entrevista concedida ao nosso jornal em vésperas do consistório no qual recebeu a púrpura – situada «na periferia ocidental do continente europeu» foi «porta de saída para o mundo», mas também «de entrada para muitos».

No próximo conclave Vossa Eminência será o único titular de «sede cardinalícia» que receberá o barrete. Como acolheu a notícia?

Acolhi a notícia com simplicidade e alguma surpresa. É um motivo para estar ainda mais próximo do Papa Francisco e do seu providencial ministério.

Entre os 20 nomes escolhidos grande parte lidera igrejas «periféricas» em países pobres.

Também se pode considerar periférico o patriarcado de Lisboa?

O Patriarcado de Lisboa fica na periferia ocidental do continente europeu. Por isso, foi uma porta de saída para o mundo e também porta de entrada para muitos. À volta de Lisboa existem amplos espaços suburbanos, onde a pouco e pouco as pessoas se vão integrando na cidade, provenientes de várias partes do mundo. Por outro lado, existem no centro histórico e noutros lugares da cidade novas "periferias" de isolamento e abandono, especialmente para os idosos e sós. Juntam-se as periferias culturais pouco integradas.
Acerca da situação em Portugal, o empobrecimento de cada vez mais pessoas devido à crise, a falta de emprego... O que faz ou o que pode fazer a Igreja para que haja mais coragem e sensibilidade no mundo do trabalho.

Se a situação não é pior, isso deve-se em boa parte às instituições de solidariedade social, ligadas em grande número à Igreja Católica, ou integradas por católicos, com outras pessoas de boa vontade. O trabalho episcopal passa também pelo estímulo e apoio a essas instituições e à respetiva atividade. Este é certamente um dos aspetos peculiares do caso português, na presente crise económica e social europeia.

E o que fazem os líderes da Igreja no plano pastoral e doutrinal para tornar esta sensibilização mais incisiva na sociedade portuguesa?

Sucessivos pronunciamentos da Conferência Episcopal Portuguesa e dos Bispos nas dioceses lembram a doutrina Social da Igreja, e os seus quatro princípios permanentes: dignidade da pessoa humana, bem comum, subsidiariedade e solidariedade. Há diferentes sensibilidades políticas e ligações partidárias entre os católicos portugueses, mas aqueles princípios não podem ser esquecidos por nenhum discípulo de Cristo, e os Bispos lembram-nos repetidamente.

E em relação ao suicídio/eutanásia, em situações de desespero devido ao perdurar da crise económica qual é a posição Igreja?

Em relação a essas situações tão trágicas, os Bispos portugueses seguem a doutrina evangélica e os pronunciamentos do Papa Francisco, lembrando que uma economia de exclusão, mais tarde ou mais cedo, também "mata", pelo desespero que ocasiona.

Que impacto tem o estilo e o exemplo de pastor do Papa Francisco na Igreja em Portugal?

O Papa Francisco é para todos nós, pastores e outros fiéis, um apelo permanente à simplicidade e solidariedade evangélicas, em relação a tudo e todos. Nunca agradeceremos suficientemente a Deus o excelente Papa que doou à Igreja e ao mundo!

O Papa Francisco apela constantemente à simplicidade, à coerência evangélica, ao abandono de privilégios, à ternura, misericórdia, abertura de espírito. Que medidas práticas estão a ser implementadas neste sentido nas dioceses, paróquias, grupos eclesiais?

No Patriarcado de Lisboa estamos a preparar o Sínodo Diocesano de 2016, envolvendo mais de mil grupos de reflexão e ensaio prático a partir dos cinco capítulos da exortação apostólica Evangelii Gaudium, que o Papa Francisco apresentou como programa para toda a Igreja. É grande o interesse e o empenho dos cristãos neste caminho, que nos confirma na simplicidade e na misericórdia ativa para com todos, especialmente os mais frágeis. 

Rosa Bernardo de Pinho

Edição em papel

 

AO VIVO

Praça De São Pedro

16 de Dezembro de 2019

NOTÍCIAS RELACIONADAS