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Porta aberta

· Missa em Santa Marta ·

«Pedir perdão não é um simples pedido de desculpa». Não é fácil, assim como «não é fácil receber o perdão de Deus: não porque ele não no-lo queira conceder, mas porque fechamos a porta sem perdoar» os outros. Na homilia da missa em santa Marta de terça-feira 10 de Março, o Papa Francisco acrescentou um fragmento à reflexão sobre o caminho penitencial que caracteriza a quaresma: o tema do perdão.

A reflexão teve início a partir do trecho da primeira leitura, tirada do livro do profeta Daniel (3, 25.34-43), no qual se lê sobre o profeta Azarias que «estava na provação e recordou a provação do seu povo, que era escravo». Mas, esclareceu o Pontífice, o povo «não era escravo por acaso: mas porque tinha abandonado a lei do Senhor, tinha pecado». Portanto Azarias reza assim: «Não nos abandoneis, por amor do teu nome! Não nos deixeis sem a tua misericórdia! Tornámo-nos pequenos, pecámos. Hoje somos humilhados. Pedimos misericórdia». Isto é, Azarias «arrepende-se. Pede perdão pelos pecados do seu povo». O profeta, portanto, «na provação não se lamenta diante da Deus», não diz: «Mas tu és injusto connosco, olha o que acontece agora...». Ao contrário, ele afirma: «Pecámos e merecemos isto». Eis o pormenor fundamental: Azarias «tinha o sentido do pecado».

Depois, o Papa frisou que Azarias não diz ao Senhor: «Desculpa, erramos». De facto, «pedir perdão é outra coisa, é diferente de pedir desculpa». Trata-se de duas atitudes diversas: a primeira limita-se ao pedido de desculpa, a segunda implica o reconhecimento de ter pecado.

Com efeito, o pecado «não é um simples erro. O pecado é idolatria», é adorar os «muitos ídolos que possuímos»: o orgulho, a vaidade, o dinheiro, o «eu mesmo», o bem-estar. Eis porque Azarias não pede simplesmente desculpa mas «pede perdão».

Por conseguinte, o trecho litúrgico do Evangelho de Mateus (18, 21-35) levou Francisco a enfrentar a outra face do perdão: do perdão pedido a Deus ao perdão concedido aos irmãos. Pedro pergunta a Jesus: «Senhor, se o meu irmão comete culpas contra mim, quantas vezes lhe devo perdoar?». No Evangelho «não há muitos momentos em que uma pessoa pede perdão», explicou o Papa, recordando alguns desses episódios. Por exemplo, «a pecadora que chora sobre os pés de Jesus, molhando-os com as suas lágrimas, enxugando-os com os seus cabelos»: nesse caso, disse o Pontífice, «a mulher pecou muito, amou muito e pede perdão». Poderíamos lembrar também o episódio no qual Pedro, «depois da pesca milagrosa, diz a Jesus: “Afasta-te de mim, que sou um pecador”»: contudo, ele «dá-se conta de que não errou, que há outra coisa dentro de si». Podemos lembrar «quando Pedro chora, na noite de quinta-feira santa, Quando Jesus olha para ele».

Contudo, são «poucos os momentos em que se pede perdão». Mas no trecho proposto pela liturgia Pedro pergunta ao Senhor a medida do nosso perdão: «Sete vezes, só?». Ao apóstolo «Jesus responde com um jogo de palavras que significa “sempre”: setenta vezes sete, isto é, deves perdoar sempre».

Francisco frisou que aqui fala-se de «perdoar», não simplesmente de um pedido de desculpas por um erro: perdoar «quem me ofendeu, que me fez sofrer, que com a sua malvadez feriu a minha vida, o meu coração».

Eis então a pergunta para cada um de nós: «Qual é a medida do meu perdão?». A resposta pode vir da parábola narrada por Jesus, do homem «ao qual tudo foi perdoado, muito dinheiro, muitos milhões», e depois, muito «contente» pelo seu perdão, sai e «encontra uma pessoa que lhe devia talvez 5 euros e manda-o para a prisão». O exemplo é claro: «Se eu não for capaz de perdoar, não sou capaz de pedir perdão». Portanto «Jesus ensina-nos a rezar ao Pai: “Perdoai as nossas ofensas assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido”».

Que significa isto concretamente? O Papa Francisco respondeu imaginando o diálogo com um penitente: «Padre, mas confesso-me... – E que fazes antes de te confessar? – Penso nas coisas más que pratiquei – Muito bem – depois peço perdão ao Senhor e prometo que não as cometo mais... – Muito bem. E depois vais ter com o sacerdote?». Mas antes «falta-te algo: perdoaste os que te fizeram sofrer?». Se a oração que nos foi sugerida é: «Perdoai as nossas ofensas assim como nós perdoamos a quem nos ofende», sabemos que «o perdão que Deus nos concederá» exige «o perdão que tu dás aos outros».

Concluindo, Francisco resumiu a meditação: antes de tudo, «pedir perdão não é um simples pedido de desculpa» mas «é estar ciente do pecado, da idolatria que pratiquei, das muitas idolatrias»; em segundo lugar, «Deus perdoa sempre», mas requer também que eu perdoe, porque «se não perdoar», num certo sentido é como se fechasse «a porta ao perdão de Deus». Uma porta que, ao contrário, devemos manter aberta: deixemos entrar o perdão de Deus a fim de que possamos perdoar os outros.

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19 de Setembro de 2019

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