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​Por caminhos novos com a carta da tradição

O Instrumentum laboris para a assembleia geral ordinária do Sínodo dos bispos sobre a vocação e a missão da família na Igreja e no mundo contemporâneo é o fruto do aprofundamento pedido pelo Papa depois da terceira assembleia geral extraordinária.

A peculiaridade do documento, que inclui a Relatio synodi e a contribuição da Igreja, consiste na correlação entre o primeiro momento, concentrado sobre os desafios, e o segundo, orientado para a vocação e a missão da família. Um elemento de novidade certa, introduzido já com a passada assembleia, é a consulta das Igrejas locais e do povo de Deus. Esta consulta — diversamente de um plebiscito popular ou de um referendo — propõe-se, longe de modificar uma lei, oferecer um olhar realista sobre a condição da família na Igreja e no mundo contemporâneo, a partir da base sólida da fé cristã, que ninguém pôs em questão. Assim, o documento atesta o exercício concreto da sinodalidade, entendida não só como participação dos episcopados, mas também como expressão do povo de Deus, composto na maioria pelos fiéis leigos.

Quem procurasse no Instrumentum laboris um tratado orgânico, teológico-pastoral, sistemático, ficaria desiludido. Não estamos diante de uma summa familiae, mas de um quadro composto, feito de olhares, menções, preocupações e esperanças. A Igreja ouve e medita, interroga-se, compartilha anseios e temores, sustém a confiança e a coragem de percorrer caminhos novos, tendo na mão a antiga carta da tradição de fé. A figura do poliedro, sugerida pelo Papa Francisco, pode representar melhor a forma do documento, onde se «reflecte a confluência de todas as partes que nele mantêm a sua originalidade» (Evangelii gaudium, 236). Portanto, não a perfeição da esfera, mas as facetas da vida, com a sua sinfonia harmoniosa e diferenciada, obra do Espírito que constrói incessantemente connosco a história da salvação.

No texto não é difícil reconhecer — graças à ampliação das temáticas — um olhar mais sereno e compartilhado em relação a quanto se podia temer, ouvindo as vozes mais preocupadas. As respostas, as observações e os contributos provenientes de todas as partes do mundo mostram as luzes e as sombras que abrangem a realidade das famílias, e isto confirma que a verdadeira questão em jogo não diz respeito à doutrina do matrimónio, mas ao valor da família como recurso insubstituível de cada sociedade, à sua composição natural (homem, mulher, filhos), ao amadurecimento de fé dos esposos, ao acompanhamento por parte dos pastores e à integração na comunidade cristã até daqueles que se encontram em situações difíceis e cheias de sofrimento.

Maurizio Gronchi

Edição em papel

 

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18 de Novembro de 2019

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