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​Perdão em troca de verdade

«Estamos dispostas a perdoar os assassinos, quem quer que sejam e independentemente do crime que tenham cometido contra os nossos entes queridos, contanto que possamos conhecer a verdade sobre aquilo que aconteceu com os nossos maridos, filhos, irmãos e irmãs». Assim declararam cerca de trinta mulheres e viúvas muçulmanas de etnia tâmil, durante um encontro em Negombo, centro a a cerca de quarenta quilómetros da capital do Sri Lanka. A assembleia, narrou Melani Manel Perera, de AsiaNews, foi organizada pela associação Families of the Disappeared (Fod), que oferece assistência aos parentes das vítimas da guerra civil que, de 1983 a 2009, ensanguentou o país. «Não temos interesse em punir quantos cometeram o mal contra eles, só queremos que voltem para casa. Desejamos saber o que aconteceu com eles e onde se encontram». Desde que terminou o conflito civil que viu opostos, com crueldade recíproca, o exército regular e os rebeldes dos Tigres Tâmeis, é a primeira vez que as famílias das vítimas e das pessoas desaparecidas manifestam a sua disponibilidade a perdoar os verdugos. Durante o encontro, as mulheres lançaram um apelo às autoridades de Colombo, que recentemente restituíram alguns terrenos a tâmeis deslocados: «Contai-nos a verdade. Se estiverem presos nos campos de detenção, por favor, libertai-os. Não queremos saber onde se encontram os campos, só desejamos que voltem para casa. E se os assassinastes, dizei-nos quando e por que razão. Temos o direito de saber». O encontro foi uma ocasião para compartilhar as investigações das pessoas desaparecidas: as famílias das vítimas não se limitam a procurar nas províncias do país onde se concentrou o conflito, mas ampliaram o seu campo de acção à ilha inteira, na esperança de obter respostas. As mulheres estão persuadidas de que, em resposta às ofensas, olho por olho dente por dente, não dá resultados: «Por isso, devemos perdoar e alcançar a justiça imediatamente. Já passamos até demasiado tempo a manifestar, protestar e marchar em busca dos nossos parentes». Brito Fernando, presidente da Fod, acrescenta que a associação continuará a oferecer apoio aos parentes dos desaparecidos: «Ajudá-los-emos inclusive nos processos. Temos necessidade de ir em frente, com uma nova atitude positiva. Para alcançar as nossas finalidades, devemos recorrer à não-violência». 

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20 de Novembro de 2019

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