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A paz é artesanal

· Na mensagem de Natal o Papa Francisco convida a humanidade a libertar-se de qualquer forma de violência e no dia de santo Estêvão pede para rezar pelos cristãos discriminados e perseguidos ·

O Papa Francisco relê algumas das páginas mais tristes do ano que está para se concluir, antes de invocar sobre a Cidade e sobre o mundo o dom da paz. Uma paz, diz, que deve ser fruto do compromisso comum de todos os homens, sem distinção alguma.

Também por ocasião da sua primeira mensagem urbi et orbi se apresenta, e é a terceira, na varanda central da Basílica na simplicidade da sua veste talar branca e pronuncia palavras fortes. Recorda a todos que a paz não é um equilíbrio entre «forças contrárias» nem uma «linda fachada por detrás da qual há contrastes e divisões». A paz é um compromisso de todos os dias, para cuja construção é necessário o trabalho de todos os homens unidos numa obra de artesanato fino. Não é por acaso que «a paz é artesanal», precisamente porque deve ser forjada quase de mãos nuas. Mãos, repete, aquecidas «pela ternura de Deus». E é preciso procurar as mãos de Deus, as suas carícias que «não causam feridas» mas que dão precisamente «paz e força».

Parece que a palavra de ordem deste Natal de 2013 é estar juntos para construir a paz. Também na missa da vigília o Papa Francisco tinha renovado o convite a caminhar juntos para iluminar com a luz de Deus o futuro da humanidade. Mas caminhar juntos, esclareceu, não significa transformar-se em povo errante: significa antes ir ao encontro de Jesus, disse, para que ele nos conduza para a terra prometida.

Um caminho certamente difícil, marcado por etapas dolorosas. O Pontífice – durante o Angelus recitado juntamente com os fiéis na praça de São Pedro no dia dedicado a santo Estêvão, o primeiro mártir da Igreja – recordou as mais dramáticas: o sofrimento do povo sírio; aquele «muitas vezes esquecido» da República Centro-africana; as vítimas do Sudão do Sul arrasado por lutas intestinas; as causadas pela intolerância religiosa em tantos, demasiados estados do mundo. Quem sofre mais, frisou o Pontífice, são os cristãos, obrigados a suportar acusações injustas até se tornarem objecto de violências e discriminações. E são muito «mais numerosos hoje do que nos primeiros tempos da Igreja» disse mais uma vez o Papa. Deve-se rezar por eles. Mas não é suficiente. É preciso que se tome consciência da urgência de garantir a todos os crentes o direito à liberdade de religião mas não só no papel: em muitos países que proclamam que a garantem «sobretudo os cristãos – foi a denúncia do Papa - encontram limites e discriminações».

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23 de Agosto de 2019

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