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Passar o testemunho

· O significado espiritual do trabalho ·

«África minha/ nomeio-te/ sem fim/ e todas as vezes/ um sentimento novo/ surpreende-me/ África/ contigo/ exulto e alegro-me/ Contigo/ choro e sofro/ Contigo/ Espero e espero/ Que o milagre/ aconteça/ E que tu/ verdadeiramente/ possas renascer» (Elisa Kidané, África minha). Uma mulher, poetisa e missionária, sonha para a sua terra o milagre do novo amanhecer «o primeiro dia depois do sábado». Dia que alvorece no coração e nos olhos do grupo de mulheres, vindas ao Sepulcro, onde encontram, antes de todos, o Senhor Ressuscitado.

Este milagre comovedor já está a acontecer em África, fruto de uma longa gestação amorosa, que as mulheres africanas, irredutíveis amantes de esperanças, continuaram com coragem e determinação.

A África é um mundo, devido à vastidão do continente e à mistura de raças e de culturas que a caracterizam. Debaixo dos seus céus que explodem de estrelas, ela – berço da humanidade – tenta retomar cada dia com coragem o seu caminho, debaixo do sol abrasador.

O trabalho de evangelização da África é ainda hoje um grande desafio para a Igreja e para os pregadores do Evangelho: Eles estão prontos e dispostos, como há dois mil anos, a irem por uma estrada deserta, ao meio dia, quando não há ninguém (Actos dos Apóstolos, 8,26) e recomeçar a lançar as sementes que no tempo certo crescerão. Iniciou assim a evangelização da África e continua assim, entre grandes dificuldades, aos poucos, com tenacidade e sem presunção.

Recordo as catequeses aos trabalhadores da missão no sul da Etiópia, recordo a sede que eles têm da Palavra de Deus. Muitos deles eram analfabetas mas contudo queriam a Bíblia: era o Livro Sagrado que colocavam no lugar de honra e como garantia da bênção, nas suas pobres cabanas.

Surpreendente, e por vezes gratificante, o trabalho com os jovens nas paróquias: a sede que têm do divino obriga-nos a transmitir o património moral e espiritual que garanta o crescimento deles na fé em harmonia com a sua cultura e as suas tradições.

É a missão perene da Igreja que anuncia Cristo. Missão para viver e ser realizada também na África, na convicção de que este desafio supõe a capacidade e o desejo de envolvimento das comunidades cristãs locais.

Um grande trabalho espera os agentes do Evangelho, trabalho que iniciou há tempo e que deve ser completado: «A busca do tempo propício» para passar – com discrição e coragem – o testemunho aos evangelizadores locais. Já entramos numa transição que não foi improvisada, mas querida e preparada. Claro que todos estão conscientes da delicadeza e da problemática do momento.

Nós estamos chamados a ser sal e luz do Continente africano, onde é necessário continuar a propor a boa notícia que salva e que liberta integralmente, num renovado esforço de evangelização. Muitas experiências evangelizadoras, em África, são de primeiro anúncio, querigmáticas.

Maria Regina Canale, Missionária cabriniana na Etiópia

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20 de Agosto de 2019

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