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Para compreender mais o Papa

· A propósito do filme de Michael Mandlik ·

No início parece apenas um documentário bem feito sobre o pontificado de Bento XVI, carinhoso e solidário, enriquecido por uma excelente banda sonora. E, talvez, nem sequer tão novo: vemos o Papa muitas vezes na televisão e, indubitavelmente, já vimos todas aquelas imagens no próprio momento em que foram filmadas, ou seja, imediatamente após a eleição, durante as viagens, as celebrações e os concertos.

Mas depois compreendemos que não é só isto: as imagens do filme de Michael Mandlik, Fünf Jahre Papst Benedikt XVI. Impressionen in Rom und auf Reisen, produzido pela Bayerischer Rundfunk por ocasião do quinto aniversário do pontificado, foram escolhidas com muita atenção. Ilumina-se principalmente o rosto do Papa, e as palavras que se ouvem — poucas e bem escolhidas — são sempre particularmente significativas.

Sim, não é apenas uma montagem de documentos, mas a história dos primeiros cinco anos de um pontificado muito importante, num filme que nos permite compreender algo mais sobre o nosso Papa, sobre o seu modo intenso de viver o papel de guia visível da Igreja. Um modo absolutamente singular e pessoal: nos gestos, no rosto de Bento XVI, desde o início, vêem-se a timidez e o cansaço de permanecer debaixo dos reflectores, ou seja, a profunda discrição de um homem de pensamento, obrigado a tornar-se um ícone público.

Esta discrição não é camuflada, mas visível, e precisamente por isso, é muito simpática, como todas as debilidades humanas confessadas. E ela é superada, graças a um amor excelso pela Igreja, entendendo-se obviamente não apenas aquela que está em Roma, com a Cúria e o Vaticano, mas sobretudo os fiéis que o acolhem com carinho no mundo inteiro.

Os seus sorrisos, a abertura dos seus braços e a sua saudação característica, movendo os dedos, são verdadeiramente cheios de alegria e de carinho, e transmitem entusiasmo, mas também um sentido de tutela: um tímido professor alemão, que consegue oferecer-se com tanto amor às multidões, a mostrar-se enquanto reza — para ele é decerto um dos momentos fundamentais e mais comovedores da sua vida, mas também mais íntimos — nos lugares sagrados mais importantes do mundo, do Santo Sepulcro à gruta de Lourdes, este homem certamente sabe guiar a sua grei.

E embora as viagens sejam os momentos em que tal entrega é mais evidente, ela transparece inclusive nas sequências que o vêem na capela particular no Vaticano: quando celebra a missa, aparentemente para poucos fiéis, mas na realidade — compreende-se isto pela intensidade do seu rosto — para todos. Com efeito, das imagens entrevêem-se a dedicação e o amor incondicional que orientam o seu caminho, vê-se a capacidade de se superar a si mesmo e a sua natureza, graças a uma doação total de si próprio a Jesus. Doação que se transforma em amor que lhe ilumina o rosto, em alegria — esta palavra que é citada com muita frequência nos seus discursos — no sentir-se circundado e seguido pelos fiéis, no sentir que a Igreja está viva, que a transmissão da mensagem evangélica não se extingue, nem diminui.

E então entendemos que não é suficiente ouvir com atenção as suas palavras — sempre tão ponderadas e importantes, nunca simplesmente circunstanciais — mas temos que olhar também para o seu rosto e para as suas mãos. E sobretudo acolher o amor e o júbilo cristãos, que nos advêm deste tímido professor que aprendeu imediatamente e tão bem a ser Papa.

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23 de Setembro de 2019

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