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Para as novas gerações  um extraordinário compromisso educativo

· Discurso no final do concerto oferecido pelo Presidente da República italiana no quinto aniversário de pontificado ·

«As condições actuais da sociedade exigem um extraordinário compromisso educativo a favor das novas gerações». Afirmou o Papa na tarde de quinta-feira, 29 de Abril, no final do concerto oferecido pelo Presidente da República italiana, Giorgio Napolitano – o qual no início do concerto dirigiu ao Papa uma deferente saudação de homenagem – por ocasião do quinto aniversário de pontificado. Publicamos a nossa tradução do discurso de Bento XVI.


Senhor Presidente da República

Senhores Cardeais

Ilustres Ministros e Autoridades

Venerados Irmãos no Episcopado

e no presbiterado

Gentis Senhores e Senhoras!

Mais uma vez o Presidente da República Italiana, Ilustre Giorgio Napolitano, com a máxima cortesia, quis oferecer a todos nós a possibilidade de ouvir óptima música por ocasião do aniversário de início do meu Pontificado. Ao saudá-lo com deferência, Senhor Presidente, juntamente com a sua gentil esposa, desejo expressar-lhe o meu sentido agradecimento pela homenagem deveras agradável deste concerto e pelas cordiais palavras que Vossa Excelência me dirigiu. Neste amável gesto vejo também mais um sinal de afecto que o povo italiano sente em relação ao Papa, afecto que foi tão fervoroso em Santa Catarina de Sena, Padroeira da Itália, da qual hoje se celebra a festa. Sinto-me feliz por saudar as outras Autoridades do Estado italiano, os Senhores Embaixadores, as diversas Personalidades e todos vós que participastes deste momento de alto valor cultural e musical.

Desejo agradecer a quantos cooperaram generosamente para a realização deste evento, sobretudo os Dirigentes da Fundação Escola de Música de Fiesole, da qual faz significativamente parte a Orquestra Juvenil Italiana, validamente dirigida pelo maestro Nicola Paszkowski. Na certeza de interpretar os sentimentos de todos os presentes, dirijo um sincero apreço aos membros da orquestra, que executaram com habilidade e eficiência trechos empenhativos do compositor milanês Giovanni Battista Sammartini, de Wolfgang Amadeus Mozart e de Ludwig van Beethoven.

Tivemos a alegria de ouvir esta tarde jovens concertistas alunos da Escola musical de Fiesole, fundada por Piero Farulli, que ao longo dos anos se afirmou como excelente centro nacional de formação orquestral, oferecendo a numerosas crianças, adolescentes, jovens e adultos a possibilidade de realizar um qualificado percurso formativo destinado à preparação de músicos para as melhores orquestras italianas e europeias. O estudo da música assume um alto valor no processo educativo da pessoa, porque produz efeitos positivos no desenvolvimento do indivíduo, favorecendo o seu harmonioso crescimento humano e espiritual. Sabemos quanto é comummente reconhecido o valor formativo da música nas suas implicações de natureza expressiva, criativa, relacional, social e cultural.

Aliás, a experiência mais que tricenal da Escola de Música de Fiesole assume uma particular relevância também perante a realidade quotidiana que nos diz como não seja fácil educar. De facto, no actual contexto social cada obra de educação parece tornar-se cada vez mais árdua e problemática: muitas vezes entre pais e professores fala-se das dificuldades que se encontram em transmitir às novas gerações os valores basilares da existência e de um comportamento recto. Esta situação problemática envolve quer a escola quer a família, assim como as várias agências que trabalham em âmbito formativo.

As actuais condições da sociedade exigem um extraordinário compromisso educativo a favor das novas gerações. Os jovens, mesmo se vivem em contextos diversos, têm em comum a sensibilidade em relação aos grandes ideais da vida, mas encontram muitas dificuldades em vivê-los. Não podemos ignorar as suas necessidades e expectativas, nem sequer os obstáculos ou as ameaças que encontram. Eles sentem a exigência de se aproximarem dos valores autênticos como a centralidade da pessoa, a dignidade humana, a paz e a justiça, a tolerância e a solidariedade. Procuram também, de modos por vezes confusos e contraditórios, a espiritualidade e a transcendência, para encontrar equilíbrio e harmonia. A este propósito, apraz-me observar que precisamente a música é capaz de abrir as mentes e os corações à dimensão do espírito e conduz as pessoas a levantar o olhar para o Alto, a abrir-se ao Bem e ao Belo absolutos, que têm a nascente última em Deus. A alegria do canto e da música são também um convite constante para os crentes e para todos os homens de boa vontade a empenhar-se para dar à humanidade um futuro rico de esperança. Além disso, a experiência de tocar numa orquestra acrescenta também a dimensão colectiva: as provas contínuas guiadas com paciência; o exercício da escuta dos outros músicos; o compromisso de não tocar «sozinhos», mas de fazer com que as diversas «cores orquestrais» – mesmo mantendo as próprias características – se fundem juntas; a busca comum da melhor expressão, tudo isto constitui uma «palestra» formidável, não só a nível artístico e profissional, mas sob o perfil humano global.

Queridos amigos, faço votos de que a grandeza e a beleza dos trechos musicais magistralmente executados esta tarde possam dar a todos nova e contínua inspiração a fim de tender cada vez mais para metas mais altas na vida pessoal e social. Renovo ao Senhor Presidente da República Italiana, aos organizadores e a todos os presentes a expressão da minha sincera gratidão por esta apreciada homenagem! Recordai-me nas vossas orações, para que iniciando o sexto ano do meu Pontificado, possa cumprir sempre o meu Ministério segundo a vontade do Senhor. Ele, que é a nossa força e a nossa paz, abençoe todos vós e as vossas famílias.

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16 de Setembro de 2019

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