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Palavras e gestos coerentes com o Evangelho para testemunhar Jesus ressuscitado

· Na audiência geral de quarta-feira Bento XVI repropôs a actualidade do anúncio pascal ·

Do compromisso e do exemplo dos cristãos, das suas palavras e, mais ainda, dos seus gestos «em plena coerência com o Evangelho» poder-se-á reconhecer «a voz e a própria mão de Jesus», afirmou Bento XVI na manhã de quarta-feira, 7 de Abril, durante a audiência geral na Praça de São Pedro.

Queridos irmãos e irmãs!

A habitual Audiência geral da quarta-feira está hoje inundada pela alegria luminosa da Páscoa. De facto, nestes dias a Igreja celebra o mistério da Ressurreição e experimenta a grande alegria que lhe provém da boa nova do triunfo de Cristo sobre o mal e sobre a morte. Uma alegria que se prolonga não só na Oitava de Páscoa, mas que se propaga por cinquenta dias até ao Pentecostes. Depois do choro e do temor da Sexta-Feira Santa, e  após o silêncio cheio de expectativa do Sábado Santo, eis o anúncio maravilhoso: «Deveras o Senhor ressuscitou e apareceu a Simão!» (Lc 24, 34). Esta,  em  toda  a  história  do  mundo, é a «boa nova» por excelência, é o «Evangelho» anunciado e transmitido ao longo dos séculos, de geração em geração.

A Páscoa de Cristo é o acto supremo e insuperável do poder de Deus. É um acontecimento extraordinário, o fruto melhor e mais maduro do «mistério de Deus». É tão extraordinário, que se torna inenarrável naquelas suas dimensões que se furtam à nossa capacidade humana de conhecimento e de averiguação. E contudo ele é também um facto «histórico», real, testemunhado e documentado. É o acontecimento que funda toda a nossa fé. É o conteúdo central no qual cremos e o motivo principal pelo qual acreditamos.

O Novo Testamento não descreve a Ressurreição de Jesus no seu actuar-se. Refere apenas os testemunhos de quantos Jesus encontrou pessoalmente depois de ter ressuscitado. Os três Evangelhos sinópticos narram-nos que aquele anúncio – «Ressuscitou!» – é proclamado inicialmente por alguns anjos. É portanto um anúncio que tem origem em Deus; mas Deus confia-o imediatamente aos seus «mensageiros», para que o transmitam a todos. E assim são os próprios anjos que convidam as mulheres, que foram de manhã cedo ao sepulcro, a irem imediatamente dizer aos discípulos: «Ele ressuscitou dos mortos e vai preceder-vos a caminho da Galileia; lá O vereis» (Mt 28, 7). Deste modo, mediante as mulheres do Evangelho, aquele mandato divino alcança todos e cada um para que, por sua vez, transmitam  aos outros, com fidelidade e coragem, esta mesma notícia: uma notícia bela, jubilosa e portadora de alegria.

Sim, queridos amigos, toda a nossa fé se funda na transmissão constante e fiel desta «boa nova». E nós, hoje, queremos manifestar a Deus a nossa profunda gratidão pelas numerosas multidões de crentes em Cristo que nos precederam nos séculos, porque nunca faltaram ao seu mandato fundamental de anunciar o Evangelho que tinham recebido. A boa nova da Páscoa, por conseguinte, exige a obra de testemunhas entusiastas e corajosas. Cada discípulo de Cristo, também cada um de nós, é chamado a ser testemunha. É este o exacto, empenhativo e exaltante  mandato do Senhor ressuscitado. A «notícia» da vida nova em Cristo deve resplandecer na vida do cristão, deve ser viva e activa – em quem a anuncia, realmente capaz de mudar o coração, toda a existência. Ela é viva antes de tudo porque o próprio Cristo é a sua alma vivente e vivificante. Recorda-no-lo São Marcos no final do seu Evangelho, quando escreve que os Apóstolos «partiram e foram pregar por toda a parte, e o Senhor cooperava com eles,  confirmando a sua Palavra com os milagres que a acompanhavam» (Mc 16, 20).

A vicissitude dos Apóstolos é também a nossa e a de cada crente, de cada discípulos que se faz «anunciador». De facto, também nós temos a certeza que o Senhor, hoje como ontem, coopera com as suas testemunhas. Este é um facto que podemos reconhecer todas as vezes que vemos rebentar os germes de uma paz verdadeira e duradoura, onde o compromisso e o exemplo de cristãos e de homens de boa vontade é animado pelo respeito à justiça, pelo diálogo paciente, por estima convicta em relação aos outros, por abnegação, sacrifício pessoal e comunitário. Infelizmente vemos no mundo também tanto sofrimento, tanta violência e inúmeras incompreensões. A celebração do Mistério pascal, a contemplação jubilosa da Ressurreição de Cristo, que vence o pecado e a morte com a força do Amor de Deus é a ocasião propícia para redescobrir e professar com mais convicção a nossa confiança no Senhor ressuscitado, o qual acompanha as testemunhas da sua palavra realizando prodígios juntamente com eles. Seremos deveras e profundamente testemunhas de Jesus ressuscitado quando deixarmos transparecer em nós o prodígio do seu amor; quando nas nossas palavras e, mais ainda, nos nossos gestos, em total coerência com o Evangelho, se puder reconhecer a voz e a mão do próprio Jesus.

Portanto, em toda a parte, o Senhor envia-nos como suas testemunhas. Mas só o podemos ser a partir e em referência contínua com a experiência pascal, a que Maria de Magdala expressa anunciando aos outros discípulos: «Vi o Senhor» (Jo 20, 18). Neste encontro pessoal com o Ressuscitado estão o fundamento inabalável e o conteúdo central da nossa fé, a nascente fresca e inexaurível da nossa esperança, o dinamismo fervoroso da nossa caridade. Assim a nossa própria vida cristã coincidirá plenamente com o anúncio: «Deveras, Cristo Senhor ressuscitou». Por isso, deixemo-nos conquistar pelo fascínio da Ressurreição de Cristo. A Virgem Maria nos ampare com a sua protecção e nos ajude a apreciar plenamente a alegria pascal, para que, por nossa vez, a saibamos levar a todos os nossos irmãos.

Mais uma vez, Boa Páscoa a todos!


No final da audiência, o Santo Padre saudou em várias línguas os fiéis presentes, dizendo em português:

Queridos peregrinos vindos de Lisboa e demais localidades de língua portuguesa, a minha saudação amiga para todos vós, com votos duma boa continuação de santa Páscoa! Que o Ressuscitado seja sempre o centro da vossa fé, a fonte da vossa esperança e o dinamismo ardente da vossa caridade. Sobre vós e vossas famílias, desça a minha Bênção Apostólica.

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16 de Setembro de 2019

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