Nota

Este site utiliza cookies...
Os cookies são pequenos arquivos de texto que ajudam a melhorar a sua experiência de navegação no nosso site. Ao navegar em qualquer parte deste site você autoriza a utilização dos cookies. Poderá encontrar maiores informações sobre a policy dos cookies nas Condições de utilização.

Os sacerdotes no divã que procuram respostas de Deus

· Seminário promovido pelo Instituto de psicologia da Pontifícia universidade salesiana ·

«Hoje a escolha sacerdotal (assim como a religiosa) é uma opção de grande anticonformismo e de ruptura completa, porque implica o afastamento total daquilo que, ao contrário, são os objectivos actuais do mundo, isto é, sexo, sucesso e dinheiro». Com esta afirmação, Lucetta Scaraffia iniciou o seu pronunciamento no seminário de estudos «Sacerdotes no divã: facilidades e dificuldades do serviço pastoral do clero», realizado recentemente na Pontifícia Universidade Salesiana em Roma. Portanto, um apelo sobre a particularidade da «missão» sacerdotal (o termo «missão» foi uma prerrogativa de Lucetta Scaraffia, enquanto os demais que intervieram no seminário utilizaram a palavra «profissão»).

Partindo do volume Preti sul lettino de Giuseppe Crea e Fabrizio Mastrofini (Florença, Giunti, 2010), o encontro — organizado pelo Instituto de psicologia do ateneu salesiano — desejou enfrentar um tema emergente na Igreja de hoje, isto é, dos sacerdotes que com frequência cada vez maior se encontram em dificuldade, a ponto de procurar a ajuda do psicanalista.

Os trabalhos foram abertos com os pronunciamentos de Alberto Oliverio, sobre os Motivos da crise e contribuição da psicologia (durante o qual o psicobiólogo da universidade La Sapienza repercorreu o itinerário histórico da relação entre Igreja católica e psicanálise), e de Leslie Francis (da universidade de Warwick) sobre os Métodos de formação e características da personalidade.

As questões mais interessantes emergiram durante a mesa redonda e, em particular, o debate que se seguiu, caracterizado por uma ampla participação do público presente, composto essencialmente por religiosos (alguns estudantes de psicologia). Moderados por Tadeusz Lewicki (professor da faculdade de Ciências da comunicação da universidade salesiana), intervieram também: Hans Zoller, vice-reitor da universidade gregoriana; Zbigniew Fornella, director do Instituto de psicologia da universidade salesiana; e os dois autores do volume citado, Giuseppe Crea, professor da universidade urbaniana; e Fabrizio Mastrofini, redactor-chefe da Rádio Vaticano.

Mesmo reconhecendo o papel importante da psicanálise, Lucetta Scaraffia afirmou que a crise de um religioso não pode ser resolvida só com esta disciplina. A escolha sacerdotal — exactamente pela sua implicação de ruptura total com as lógicas do mundo (segundo Zollner, «a vocação do sacerdote diocesano é uma das mais difíceis de ser vivida») — produz no religioso, de acordo com a estudiosa, dois estados: euforia («são jovens diferentes dos outros, muito mais criativos») e, ao mesmo tempo, fragilidade («é uma escolha que não encontra apoio externo, nem na família nem na sociedade»). Dois aspectos difíceis de administrar, evidentemente, e que merecem toda a atenção necessária. Contudo, Lucetta Scaraffia, «como crente», exortou a recordar que no fundo a ajuda indispensável para o religioso não vem do divã nem de outros lugares, mas de Deus. Ele sim, ao ser interpelado, responde.

De resto — como escreve Romano Guardini em Ritratto della malinconia (que Lucetta Scaraffia recordou muitas vezes durante o seu pronunciamento) — «a melancolia é demasiado dolorosa e fixa muito profundamente as suas raízes na nossa condição humana, para que a abandonemos nas mãos de psiquiatras».

Edição em papel

 

AO VIVO

Praça De São Pedro

16 de Outubro de 2019

NOTÍCIAS RELACIONADAS