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Os preferidos de Deus

· No livro «Da parte dos pobres. Teologia da libertação, teologia da Igreja» ·

Na quinta-feira 5 de Setembro em Seveso, no âmbito do vigésimo terceiro congresso nacional da Associação teológica italiana, Gustavo Gutiérrez – sacerdote e teólogo peruano, que entrou na ordem dos dominicanos em 2001, considerado um dos pais da teologia da libertação – dialogará com o teólogo Mario Antonelli sobre o tema «Fazer teologia na tradição na América Latina». Gutiérrez escreveu, juntamente com o arcebispo Gerhard Ludwig Müller, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, o livro Da parte dos pobres. Teologia da libertação, teologia da Igreja (Padova-Bologna , Edizioni Messaggero – Editrice Missionaria Italiana, 192 páginas). «Nestas páginas – escreve Gutiérrez no primeiro capítulo – pretendemos apresentar algumas considerações sobre como vemos o papel actual e as tarefas futuras da reflexão teológica na vida da Igreja presente na América Latina e no Caribe». E especifica mais adiante o arcebispo Müller: «Qualquer teologia deve partir de um contexto. Mas com isto a teologia não se espalha numa incomensurável suma de teologias regionais. (…) Cada teologia regional deve ao contrário ter já em si mesma uma vocação eclesial universal» e as questões apresentadas pela teologia da libertação são «um aspecto imprescindível de cada teologia, seja qual for o quadro socioeconómico que circunscreve o seu espaço».

«Com um Papa latino-americano - escreve no jornal de hoje Ugo Sartorio, na atenta recensão ao volume – a teologia da libertação não podia permanecer por muito tempo na sombra sob a qual tinha sido relegada há alguns anos, pelo menos na Europa. Posta de lado por um duplo preconceito: o que ainda não metabolizou a fase conflitual de meados dos anos Oitenta, aliás enfatizada pelos mass media, e faz dela uma vítima do Magistério romano; e o que persiste na rejeição de uma teologia considerada demasiado de esquerda e por conseguinte de tendência». Mas o livro, prossegue Sartorio, não é só um contributo à superação de clichés e preconceitos ideológicos: com efeito, a sua leitura solicita importantes reflexões capazes de integrar e revitalizar perspectivas muitas vezes incrustadas. Aliás é importante recordar como a reflexão teológica latino-americana não é minimamente um fenómeno unitário: de facto, hoje, caracteriza-se por correntes até muito diversificadas. Portanto, graças à teologia da libertação que tem no seu centro os pobres («os preferidos de Deus») a Igreja católica pôde incrementar ulteriormente o pluralismo no seu interior.

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22 de Janeiro de 2020

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