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O uso dos bens na lógica do amor

· No Angelus Bento XVI convidou a dedicar atenção ao próximo sem egoísmo ·

O Papa recordou o exemplo dos santos Domingos, Clara, Lourenço, Edith Stein e Kolbe

«Utilizar as coisas sem egoísmo, mas segundo a lógica de Deus, a lógica da atenção ao próximo, a lógica do amor»: este foi o convite dirigido pelo Papa aos fiéis reunidos no domingo 8 de Agosto em Castel Gandolfo, para a recitação do Angelus. No final da prece mariana, Bento XVI recordou a memória litúrgica dos principais santos comemorados durante a semana.

Prezados irmãos e irmãs

No trecho evangélico deste domingo, continua o discurso de Jesus aos discípulos sobre o valor da pessoa aos olhos de Deus e sobre a inutilidade das preocupações terrenas. Não se trata de um elogio ao desinteresse. Pelo contrário, ouvindo o convite tranquilizador de Jesus: «Não temas, pequenino rebanho, porque aprouve ao vosso Pai dar-vos o Reino» ( Lc 12, 32), o nosso coração abre-se a uma esperança que ilumina e anima a existência concreta: temos a certeza de que «o Evangelho não é apenas uma comunicação de realidades que se podem saber, mas uma comunicação que gera factos e muda a vida. A porta tenebrosa do tempo, do futuro, foi aberta de par em par. Quem tem esperança, vive diversamente; foi-lhe dada uma vida nova» (Encíclica Spe salvi, 2). Como lemos no trecho da Carta aos Hebreus, na Lituriga de hoje, Abraão entra com um coração confiante na esperança que Deus lhe abre: a promessa de uma terra e de uma «descendência numerosa», e parte «sem saber aonde ia», confiando unicamente em Deus (cf. 11, 8-12). E no Evangelho hodierno, Jesus – através de três parábolas – explica como a espera do cumprimento da «bem-aventurada esperança», a sua vinda, deve impelir ainda mais a uma vida intensa, rica de obras boas: «Vendei os vossos bens e dai-os de esmola. Fazei para vós bolsas que não envelheçam, um tesouro inesgotável nos Céus, do qual o ladrão não se aproxima e a traça não corrói» ( Lc 12, 33). Trata-se de um convite a utilizar as coisas sem egoísmo, nem sede de posse ou de domínio, mas segundo a lógica de Deus, a lógica da atenção ao próximo, a lógica do amor: como escreve sinteticamente Romano Guardini, «na forma de uma relação: a partir de Deus, em vista de Deus» ( Accettare se stessi, Bréscia 1992, pág. 44).

A este propósito, desejo chamar a atenção para alguns Santos, que celebraremos nesta semana e que delinearam a sua vida precisamente a partir de Deus e em vista de Deus. Hoje, recordamos São Domingos de Gusmão, fundador, no século XIII, da Ordem dominicana, que desempenha a missão de educar a sociedade a respeito das verdades de fé, preparando-se com o estudo e a oração. Nessa mesma época, Santa Clara de Assis – cuja memória celebraremos na quarta-feira – dando continuidade à obra franciscana, funda a Ordem das Clarissas. No dia 10 de Agosto recordaremos o Santo diácono Lourenço, mártir do século III, cujas relíquias são veneradas em Roma na Basílica de São Lourenço fora dos Muros. Enfim, faremos memória de outros dois mártires do século XX, que compartilharam o mesmo destino em Auschwitz. No dia 9 de Agosto, recordaremos a Santa carmelita Teresa Benedita da Cruz, Edith Stein, e em 14 de Agosto o sacerdote franciscano São Maximiliano Kolbe, fundador da Milícia de Maria Imaculada. Ambos atravessaram a época obscura da segunda guerra mundial, sem jamais perder de vista a esperança, o Deus da vida e do amor.

Confiemos no auxílio maternal da Virgem Maria, Rainha dos Santos que, amorosamente, compartilha a nossa peregrinação. Dirijamos-lhe agora a nossa oração.

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21 de Outubro de 2019

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