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O tesouro de Columba

· Helen Kyung Soo Kwon narra quem era a mártir da primeira comunidade católica coreana beatificada pelo Papa Francisco ·

«Columba Kang Wan Suk, catequista e mártir da primeira comunidade católica coreana nasceu em 1761, na província de Chungcheong».

Quem fala é Helen Kyung Soo Kwon, mulher elegante e com modos gentis, que fala um óptimo inglês e tão empenhada no campo social que somente depois de dois meses consigo ter um encontro com ela. Basta um olhar ao seu curriculum para ter uma ideia dos seus compromissos. Foi presidente da Organização das mulheres católicas da arquidiocese de Seul, vice-presidente do Conselho dos leigos do arcebispado de Seul, membro da sub-comissão das mulheres para o Apostolado dos leigos, presidente da Organização das mulheres católicas coreanas, membro da comissão directiva da actividade pro-vida da Conferência episcopal católica da Coreia e actualmente é membro do Conselho permanente da União mundial das organizações das mulheres católicas.

Helen Kyung Soo Kwon

Não há muitos textos sobre a história do cristianismo na Coreia, mas ainda há menos sobre o papel desempenhado pelas mulheres: porquê? «Durante muito tempo e até à abertura do país, em finais do século XIX, - responde-nos Helen Kyung Soo Kwon – a Coreia era uma sociedade muito fechada, não é por acaso que no ocidente era conhecida como o Reino eremita. A sociedade daquele tempo era regulada por uma ideologia política, o confucionismo, que não dava grandes espaços às mulheres na vida social, sobretudo se as mulheres pertenciam a uma classe mais abastada».

Columba Kwang Wan Suk será beatificada pelo Papa Francisco agora em Agosto. Pode-nos contar a sua história? «Columba era filha ilegítima mas de uma família nobre. Casou-se com Hong Ji-yeong, que já tinha um filho de uma união anterior. É só neste período – explica-nos Helen Kyung Soo Kwon – que Columba, através da leitura dos livros escritos pelos jesuítas vindos da China, conhece a religião católica. Já durante a primeira perseguição de 1791 ocupar-se-á da saúde dos cristãos presos. Ensinou o catolicismo ao filho adoptivo que também se tornará mártir durante a primeira grande perseguição. O marido, pelo contrário, criticava sempre esta sua paixão religiosa e acabou por preferir uma concubina. A este ponto Columba transfere-se para Seul onde tinha sabido que os cristãos eram muito numerosos. Aqui – depois de ter entrado em contacto com a comunidade dos fiéis cristãos graças ao seu status social e portanto ao seu grande poder financeiro – começou a “patrocinar” o envio de mensageiros para a China para que sacerdotes pudessem finalmente vir para a Coreia».

Naquele período – continua a sua narração Helen Kyung Soo Kwon - «não havia qualquer comunidade católica estruturada. Foi somente com a chegada no país do padre James Zhou Wen Moe, o primeiro padre que chegou ao reino de Choson, que iniciaram os primeiros baptismos por mãos de um padre ordenado. Columba foi uma das primeiras baptizadas e foi escolhida pelo padre James para ser catequista, e durante toda a sua vida dedicou-se realmente ao ensino do catolicismo. Entre outras coisas, hospedou o padre James na sua casa de Seul durante o longo período em que o padre era perseguido pelas autoridades locais que tinham tomado conhecimento da sua presença na cidade. Naquele tempo, as inspecções nas casas de propriedade de uma mulher eram proibidas. Foi assim que o primeiro sacerdote que entrou na Coreia, durante diversos anos, conseguiu escapar a uma sentença de morte certa».

A escolha de hospedar um homem em casa, mesmo um padre, era um sinal forte de ruptura com as convenções do tempo, se pensarmos que as mulheres da classe nobre não podiam nem sequer sair de casa durante o dia, esperava-se pela noite quando as estradas estavam desertas. Ainda em 1897 Elizabeth Bird escrevia que por volta das oito da noite o grande sino no centro de Seul ressoava, era o sinal para os homens se retirarem nas suas casas e para as mulheres saírem.

Helen Kyung Soo Kwon sorri: «É verdade, Columba foi uma verdadeira líder e precursora da emancipação feminina. Penso também na sua escolha de abandonar definitivamente um marido que tinha preferido uma concubina. Muitas mulheres de então suportavam em silêncio a presença de uma outra mulher em casa. Foi graças a este seu grande carisma que depois, juntamente com o trabalho do padre James, se realizou a entrada da família real na Igreja católica».

Helen Kyung Soo Kwon continua a sua narração: «O meio-irmão do rei, Mary Song e a sua filha adoptiva Mary Sin – também elas parentes da família real – foram baptizados pelo padre James. Com o cristianismo houve as primeiras presidentes de associações católicas. Ainda antes que a Igreja coreana tivesse uma hierarquia estruturada e organizada pelos missionários estrangeiros, as mulheres já tinham criado uma própria associação feminina chefiada por uma mulher. Eram os primeiros sinais que uma emancipação era possível».

Conhecemos já o fim da história, mas pedimos a Helen Kyung Soo Kwon que a narre: como morreu Columba? «Durante a perseguição Sinyu de 1801, Columba foi denunciada pelas suas actividades religiosas. Foi presa no dia 6 de Abril, junto com outros fiéis que estavam na sua casa. Foi torturada durante muito tempo para que revelasse o lugar onde se escondia o padre James, mas não cedeu às torturas. No dia 2 de Julho do mesmo ano foi condenada à morte. Foi decapitada fora da porta ocidental de Seul. Tinha só quarenta anos». (cristian martini grimaldi)

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16 de Setembro de 2019

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