Nota

Este site utiliza cookies...
Os cookies são pequenos arquivos de texto que ajudam a melhorar a sua experiência de navegação no nosso site. Ao navegar em qualquer parte deste site você autoriza a utilização dos cookies. Poderá encontrar maiores informações sobre a policy dos cookies nas Condições de utilização.

O respeito pelos cristãos na Terra Santa medida de democracia e solidariedade

· O arcebispo Vasil' traça um balanço da recente assembleia da roaco ·

Um renovado compromisso a ajudar os cristãos que desejam permanecer no Médio Oriente para continuar a oferecer o seu testemunho do Evangelho foi assumido pela Reunião das Obras em Ajuda às Igrejas Orientais (roaco), durante a recente assembleia de Verão. De modo particular, foram examinados alguns projectos que permitam à minoria católica encontrar caminhos alternativos à emigração para garantir a própria sobrevivência. Quem fala sobre isto, nesta entrevista concedida ao nosso jornal, é o arcebispo Cyril Vasil', secretário da Congregação para as Igrejas Orientais, traçando um balanço da assembleia da roaco, realizada nos dias 21-25 do passado mês de Junho e encerrada com a audiência concedida por Bento XVI. Entre os programas aprovados estão inseridos aqueles de ajuda aos sacerdotes pobres, sozinhos e idosos, mas também o financiamento de escolas católicas, frequentadas também por um grande número de jovens muçulmanos.

Os cristãos da Terra Santa estão a atravessar um período particularmente difícil, marcado entre outras coisas, há pouco mais de um mês, pelo assassínio do bispo Luigi Padovese. Que impressão tivestes da situação em que eles vivem naquela atormentada região?

Em primeiro lugar, é necessário sublinhar que os cristãos compartilham a vida, as alegrias e as dificuldades de todos os outros habitantes da Terra Santa. Por este motivo, pode-se dizer também que as situações de guerra, de dificuldade financeira, de conflito internacional e interno, de criminalidade e de terrorismo dizem respeito do mesmo modo a eles como aos demais cidadãos. Porém, existe um pormenor que não se deve ignorar. Constituindo uma minoria religiosa – às vezes sentida inclusive como minoria de índole étnica – os cristãos talvez sejam a parte mais vulnerável das respectivas sociedades civis dos Estados individualmente. Deste modo, a atitude que a maioria das pessoas têm no que se lhes refere representa, tanto no foro nacional como no internacional, uma válida prova do nível de democracia, da maturidade e da solidariedade das respectivas nações. Precisamente por isso, é difícil apresentar um denominador comum de todas as situações em que os cristãos vivem na Terra Santa.

É possível definir um quadro das diversas realidades políticas e sociais em que vivem os cristãos?

Os Estados individualmente representam um leque muito vasto de variantes de sistemas políticos, por mais frágeis que sejam: existem países republicanos formalmente laicos, há monarquias hereditárias ou Estados com um forte sistema presidencial, existem repúblicas com um sistema democrático segundo um estilo ocidental e, depois, há Estados organizados com base na lei corânica, com aplicação concreta da sharia. Além disso, em alguns países para as comunidades cristãs entrou em vigor o sistema dos «estatutos pessoais», que regulamenta a sua posição no seio de um Estado onde a maioria da população é muçulmana.

Contextos diferentes, em que a situação dos cristãos adquire cada vez mais aspectos e características específicos.

Como é óbvio, geralmente as situações individuais não são tão claramente delineadas, a ponto de se prestarem a uma interpretação inequívoca.  Por conseguinte, cada avaliação exige um profundo conhecimento e um discernimento ponderado. Também neste sentido, a roaco constitui um instrumento válido para este discernimento. Eventuais casos trágicos individuais, como o assassínio de D. Padovese, são todos deploráveis e devem ser avaliados com base nos resultados concretos das investigações.

Que iniciativas foram tomadas, ou estão em fase de estudo, para a assistência e a ajuda aos sacerdotes na Terra Santa, à luz do Ano sacerdotal, que há pouco terminou?

Antes de tudo, pudemos concentrar a nossa atenção na sua situação geral. Já durante a reunião do passado mês de Janeiro, quisemos dedicar-nos a este aprofundamento. E fizemo-lo no âmbito desta nossa última sessão, encontrando-nos com algumas agências que estão comprometidas de maneira particular com a ajuda aos sacerdotes em necessidade. Deste modo, foram identificadas três tipologias de intervenção: o apoio regular ao clero, o seguro médico e social, e o sistema de aposentadoria. Essas agências ofereceram um panorama das diversas situações – em conformidade com os respectivos países ou Igrejas sui iuris – e compartilharam as suas experiências. A Congregação para as Igrejas Orientais – quando for necessário – assumirá a sensibilização dos bispos a propósito do dever que lhes compete, de encontrar os modos mais adequados para assegurar o apoio digno e o sistema de previdência social aos sacerdotes.

À actividade da Pontifícia Missão para a Palestina foi dedicado um espaço especial durante este octogésimo terceiro encontro da roaco. Quais são os projectos e as finalidades deste organismo?

Como se sabe, trata-se de uma organização fundada em 1949, por iniciativa de Pio XII, que dispõe de três sedes regionais: em Amã, em Beiture e em Jerusalém. Entre os numerosos programas  que são acompanhados encontram-se, por exemplo, aqueles de apoio às escolas abertas tanto aos cristãos como aos não-cristãos, de maneira particular aos muçulmanos. O processo educativo nas instituições que recebem membros de diferentes comunidades religiosas pode ser considerado um elemento importante no mosaico da convivência, do conhecimento e da estima recíproca. Assim, todos estes elementos não podem deixar de favorecer o processo da busca de uma convivência pacífica.

Existem outras iniciativas de formação, em benefício dos jovens?

Sem dúvida, são interessantes inclusive os projectos que ajudam a melhorar diversas actividades juvenis, não de cunho estritamente escolar, mas formativo em sentido lato. Trata-se de fazer com que os jovens vivam juntos e compartilhem as experiências no campo da educação, ressaltando o contexto inter-religioso e ecuménico, oferecendo-lhes os valores positivos de colaboração e de compromisso comum: também este constitui  um investimento na futura convivência pacífica dos povos do Médio Oriente.

Quais são as indicações que se esperam da Assembleia Especial para o Médio Oriente do Sínodo dos Bispos – programada para os dias 10-24 do próximo mês de Outubro – a propósito do futuro dos cristãos na Terra Santa?

A Assembleia Especial para o Médio Oriente do Sínodo dos Bispos é, em primeiro lugar, a reunião dos Pastores que compartilham experiências, dificuldades e expectativas da porção do povo de Deus que lhes foi confiado. Por conseguinte, as finalidades do Sínodo, assim como de todas as assembleias deste tipo, não são de índole social ou política. Contudo, isto não exclui o facto de que os Pastores têm o direito e o dever de se referir à realidade social e política dos respectivos países, dado que ela influi sobre a vida das comunidades cristãs. O interesse e a sensibilização da opinião pública mais vasta, a respeito destas problemáticas, pode contribuir para criar uma atmosfera de solidariedade, de maior compreensão das dificuldades e, por conseguinte, também de maior assistência, tanto moral como caritativa, em relação aos projectos empreendidos pelas agências da roaco.

Edição em papel

 

AO VIVO

Praça De São Pedro

23 de Setembro de 2019

NOTÍCIAS RELACIONADAS