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O peso na consciência das nações

· Durante o encontro de oração em Bari com os patriarcas do Próximo e do Médio Oriente o Papa denunciou a trágica condição das comunidades cristãs ·

Na área médio-oriental «há anos um número terrível de pequeninos chora mortes violentas em família e vê ameaçada a sua terra natal, restando-lhes muitas vezes como única perspetiva ter de fugir. Esta é a morte da esperança. Que a humanidade escute — peço-vos — o clamor das crianças», porque só «enxugando as suas lágrimas o mundo reencontrará a dignidade»: eis o urgente apelo lançado pelo Papa Francisco em Bari, no adro da basílica de São Nicolau, na manhã de 7 de julho, no encerramento do dia de oração e reflexão a favor da paz no Médio Oriente, vivido com os patriarcas dessa região. Várias vezes interrompido pelo aplauso das setenta mil pessoas presentes, o Pontífice suplicou: «Não esqueçamos as crianças!» porque «Os olhos de demasiadas crianças passaram a maior parte da vida a ver escombros». 

E o seu pensamento dirigiu-se em especial à província síria de Deraa, onde — acrescentou ao texto preparado — «recomeçaram duros combates que provocaram um número enorme de deslocados, expostos a tribulações terríveis». De resto, denunciou Francisco, o flagelo da guerra «que acomete tragicamente esta amada» terra, provoca vítimas sobretudo entre «a gente humilde». Portanto, «não são as tréguas garantidas por muros e provas de força que trarão a paz, mas a vontade real de escuta e diálogo»; aliás, dado que «a guerra é filha da pobreza» ela «é vencida» antes de tudo «erradicando a miséria»; só «tendo cuidado para que a ninguém falte o pão, o trabalho e a dignidade». Mas para que isto seja possível, insistiu, «é essencial que os detentores do poder se ponham, final e decididamente, ao serviço autêntico da paz e não dos próprios interesses». Por isso, o Papa repetiu várias vezes «basta»: «Basta com os lucros de poucos à custa da pele de muitos! Basta com as ocupações de terras que dilaceram os povos! Basta com fazer prevalecer verdades de parte sobre as esperanças da gente! Basta com usar o Médio Oriente para lucros alheios ao Médio Oriente!».

Além disso, com a consciência de que «Muitos conflitos foram fomentados também por formas de fundamentalismo e fanatismo que, disfarçados sob pretextos religiosos, na realidade blasfemaram do nome de Deus», o Pontífice salientou que a violência «é sempre alimentada pelas armas. Não se pode levantar a voz para falar de paz, enquanto às escondidas se perseguem desenfreadas corridas ao rearmamento. É uma gravíssima responsabilidade, que pesa na consciência das nações, em particular das mais poderosas». Eis, então, outros «basta» clamados em voz alta: contra as «contraposições obstinadas» e «a sede de lucro que passa por cima de todos para se apoderar de jazidas de gás e combustíveis, sem respeito pela casa comum nem escrúpulos pelo facto de ser o mercado da energia a ditar a lei da convivência entre os povos!».

Precedentemente, à beira-mar, o Papa tinha guiado a oração ecuménica desejada para «dar voz a quem não tem voz, a quem pode apenas engolir lágrimas, porque hoje o Médio Oriente chora, hoje sofre e emudece, enquanto outros o espezinham à procura de poder e riquezas».

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20 de Setembro de 2018

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