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O olhar das mulheres judias

Chegamos a um ponto de viragem nas relações entre cristãos e judeus, uma transformação marcada pelo recente documento da Comissão para as relações religiosas com o judaísmo Porque os dons e a chamada de Deus são irrevogáveis, um documento de caráter teológico segundo por importância, penso eu, somente à declaração Nostra aetate

Antonietta Rapha Ãl Mafai‚ A minha mãe benzendo as velas‚ 1932

«Na busca de uma atitude correta em relação a Deus – disse o Papa Francisco – os cristãos dirigem-se a Cristo como fonte de vida nova, os judeus ao ensinamento da Torá». Palavras que ainda devem ser assimiladas pelo mundo judaico, assim como pelo cristão, embora em ambas as partes algumas importantes tomadas de posição indicaram imediatamente a sua novidade. Neste momento, que esperamos represente para todos uma viragem, pareceu-nos importante refletir sobre os textos hebraicos, em particular sobre como foram lidos e interpretados numa ótica que nos interessa iluminar, a das mulheres. Um leque de reflexões e análises textuais sob o ponto de vista feminino que nos indicam a capacidade das mulheres de se tornarem intérpretes, de ler de forma nova, de colocar aos textos perguntas que levem em conta as necessidades das mulheres, às quais também foi dada no Sinai a Torá. Em síntese, compreender inclusive a leitura feminina dos textos, aqueles textos que, como diz o Papa Francisco, representam a forma como os judeus se aproximam do divino. Uma outra abordagem que quisemos dar a esta nossa reflexão olha para trás, para o diálogo, e para o papel que muitas mulheres, quer judias quer cristãs, desempenharam ao iniciar, fazer crescer e aprofundar aquele intercâmbio começado em anos longínquos, muito antes que o concílio Vaticano II acolhesse as suas primeiras sugestões. Fizemo-lo narrando a vida de uma extraordinária figura de estudiosa judia, Lea Sestieri. A história do diálogo judaico-cristão – desde os seus vértices até às figuras menos célebres – está repleta de nomes femininos. Também para este contexto as mulheres contribuíram com empenho e paixão. Capacidade de enfrentar a mudança sem medo, de se abrir ao mundo sem conformismos. Uma história que não tem apenas um passado atrás de si, mas um futuro a ser inventado. (anna foa)

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22 de Agosto de 2019

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