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O mundo suspenso de Rasha

· Entre os refugiados sírios no Líbano ·

Para as cento e cinquenta crianças entre os dois e os dez anos que correm livres pelo campo, aquele é um lugar alegre, certamente essencial, mas divertido. Não é muito importante para elas se não podem mudar de roupa, estão concentradas a brincar, a pintar o próprio rosto e a encontrar-se com os companheiros de aventura. Os seus olhos estão cheios de vontade de viver, pelo menos tanto quanto os das suas mães estão vazios, perdidos num mar de desolação. A vida no campo dos refugiados sírios, que se encontra na periferia de Zahle, poucos quilómetros a leste da fronteira entre o Líbano e a Síria na região da Bekaa, um lugar de miséria absoluta: duzentas famílias refugiaram-se aqui, a maior parte das quais provém da periferia de Homs.

O rosto de Rasha, 26 anos, está paralisado, é de porcelana, emoldurado pela cor preta de um véu estreito que se confunde com a cor da sua roupa. Não transparece emoção alguma, só da sua voz se percebe como a sua juventude se bloqueou diante de um futuro incerto: o seu marido foi assassinado nos bombardeamentos de Homs, e ela, com os seus dois filhos, fugiu com a família do cunhado. A sua casa deixou de existir, foi reduzida em ruínas. Agora está lá, no campo dos refugiados, e aguarda. Espera que venha a noite, que a guerra termine. Compartilham a viagem de Rasha neste mundo suspenso de outras pessoas.

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17 de Outubro de 2019

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