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O mundo melhora-se começando por nós mesmos

· No Angelus o Papa convida a não ceder às tentações do poder e do orgulho ·

«O mundo melhora-se começando por nós mesmos»: recordou o Papa no Angelus de domingo, 21 de Fevereiro, na Praça de São Pedro, falando da Quaresma como período de «competição» espiritual que deve ser vivido em companhia de Cristo.

Queridos irmãos e irmãs!

Na quarta-feira passada, com o rito penitencial das Cinzas, iniciámos a Quaresma, tempo de renovação espiritual que prepara para a celebração anual da Páscoa. Mas o que significa entrar no itinerário quaresmal? O Evangelho deste primeiro domingo ilustra-nos isto, com a descrição das tentações de Jesus no deserto. Narra o Evangelista São Lucas que, depois de ter sido baptizado por João, «cheio do Espírito Santo,  Jesus retirou-se do Jordão e foi levado pelo Espírito ao deserto, onde esteve durante quarenta dias, e foi tentado pelo diabo» (Lc 4, 1-2). É evidente a insistência sobre o facto de que as tentações não foram um imprevisto, mas a consequência da opção feita por Jesus de seguir a missão que o Pai lhe confiou, de viver até ao fim a sua realidade de Filho amado, que confia totalmente n'Ele. Cristo veio ao mundo para nos libertar do pecado e do fascínio ambíguo de projectar a nossa vida prescindindo de Deus. Ele fê-lo não com anúncios pomposos, mas lutando  pessoalmente contra o Tentador, até à Cruz. Este exemplo é válido para todos: o mundo melhora-se  começando por nós mesmos, mudando, com a graça de Deus, tudo o que não é bom na nossa vida.

Das três tentações às quais Satanás submete Jesus, a primeira tem origem na fome, ou seja, na necessidade material: «Se és Filho de Deus, diz a estas pedras  que se transformem em pão». Mas Jesus responde com a Sagrada Escritura: «Nem só de pão vive o homem» (Lc 4, 3-4; cf. Dt 8, 3). Depois, o diabo mostra a Jesus todos os reinos da terra e diz:  tudo será teu se, prostando-te, me adorares. É o engano do poder, e Jesus desmascara esta tentativa e afasta-o: «Ao Senhor, teu Deus, adorarás, e só a Ele prestarás culto» (cf. Lc 4, 5-8; Dt 6, 13). Não adoração do poder, mas só de Deus, da verdade e do amor. Por fim, o Tentador propõe a Jesus que realize um milagre espectacular: lançar-se dos altos muros do Templo e fazer-se salvar pelos anjos, de modo que todos acreditassem n'Ele. Mas Jesus responde que Deus nunca deve ser posto à prova (cf. Dt 6, 16). Não podemos «fazer uma experiência» na qual Deus deve responder e mostrar-se Deus: devemos acreditar n'Ele! Não devemos usar Deus como «matéria» da nossa «experiência»! Referindo-se sempre à Sagrada Escritura, Jesus antepõe aos critérios humanos o único critério autêntico: a obediência, a conformidade com a vontade de Deus, que é o fundamento do nosso ser. Também este é um ensinamento fundamental para nós: se trouxermos na mente e no coração a Palavra de Deus, se esta entrar na nossa vida, se tivermos confiança em Deus, poderemos rejeitar qualquer  género de engano do Tentador. Além disso, de toda a narração sobressai claramente a imagem de Cristo como novo Adão, Filho de Deus humilde e obediente ao Pai, ao contrário de Adão e Eva, que no jardim do Éden tinham cedido às seduções do espírito do mal, de serem imortais sem Deus.

A Quaresma é como um longo «retiro», durante o qual cair de novo em nós mesmos e ouvir a voz de Deus, para vencer as tentações do Maligno e encontrar a verdade do nosso ser. Podemos dizer, um tempo de «competição» espiritual para viver juntamente com Jesus, não com orgulho e presunção, mas usando as armas da fé, ou seja, a oração, a escuta da Palavra de Deus e a penitência. Deste modo poderemos chegar a celebrar a Páscoa na verdade, prontos para renovar as promessas do nosso Baptismo. Ajude-nos a Virgem Maria para que, guiados pelo Espírito Santo, vivamos com alegria e  proveito este tempo de graça. Interceda em particular por mim e pelos meus colaboradores da Cúria Romana, que esta tarde iniciaremos os Exercícios Espirituais.

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Praça De São Pedro

7 de Dezembro de 2019

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