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O Mediterrâneo seja
uma arca de paz

· Na terra de padre Tonino Bello o Papa recorda que para prevenir a guerra é preciso cuidar dos pobres ·

«O Mediterrâneo, histórica bacia de civilização, nunca seja um arco de guerra tenso, mas uma arca de paz acolhedora»: o Papa recorreu a uma imagem querida a padre Tonino Bello para lançar da Apúlia o seu apelo a fim de que o sul da Itália mantenha viva a sua vocação de ser terra que abre as portas à esperança para «os inúmeros meridiões do mundo, onde “os mais pobres são cada vez mais numerosos, enquanto os ricos se tornam sempre mais ricos”». No dia do 25º aniversário da morte do bispo salentino, na manhã de 20 de abril, o Pontífice visitou Alessano, a vila onde padre Tonino nasceu em 1935 e onde quis ser sepultado, e Molfetta, onde exerceu o ministério episcopal por quase onze anos.

No cemitério de Alessano, Francisco rezou diante do túmulo do prelado e no discurso proferido em seguida, perante vinte mil fiéis, elogiou «esta maravilhosa terra de fronteira — finis-terrae — que padre Tonino denominava “terra-janela”», chamada a permanecer aberta para «observar todas as pobrezas que incumbem sobre a história». Um vínculo, entre o bispo e a sua região, simbolizado pelo próprio túmulo com os seus despojos: «Está totalmente plantado na terra: padre Tonino, semeado na terra», observou o Papa. E «como uma semente lançada parece que nos quer dizer quanto amou este território» e, naturalmente, os pobres. Entender estes últimos, prosseguiu o Pontífice, «era para ele uma verdadeira riqueza», pois «os pobres são a riqueza da Igreja». Por isso, invocou: «Recorda-no-lo, padre Tonino, diante da tentação recorrente de seguir os poderosos de turno, de procurar privilégios, de nos acomodarmos numa vida fácil».

Padre Bello, insistiu Francisco, «exorta-nos a não teorizar a proximidade aos pobres, mas a permanecer perto deles. Não o incomodam os pedidos, feria-o a indiferença. Não temia a falta de dinheiro, mas preocupava-se com a incerteza do trabalho», disse, evocando um «problema hoje ainda tão atual». Com efeito, ele «não perdia ocasião para afirmar que em primeiro lugar está o trabalhador com a sua dignidade, não o lucro com a sua avidez». Por isso, «não ficava de braços cruzados: agia a nível local para semear paz globalmente, convicto de que para prevenir a violência e todos os tipos» de conflito é preciso «cuidar dos necessitados e promover a justiça». Consciente de que «se a guerra gera pobreza, também a pobreza gera guerra».

Quanto à vocação sacerdotal de padre Bello, explicou o Papa, também ela está ligada à sua terra, onde «Antonio nasceu Tonino e se tornou padre Tonino, nome, simples e familiar», que «nos diz também a sua salutar alergia a títulos e honras» e «a sua coragem de se libertar daquilo que pode recordar os sinais do poder». Tudo isto, realçou Francisco, «não o fazia por conveniência nem para buscar consensos. Gostava de dizer que nós, cristãos, devemos ser contempl-ativos», isto é, «pessoas que nunca separam oração e ação». Eis a atualidade da sua lição, que nos faz «sentir vergonha pelos nossos imobilismos» e nos impele «a ser cada vez mais uma Igreja contemplativa».

Depois, no porto de Molfetta, o Papa celebrou a Eucaristia diante de mais de quarenta mil fiéis. Na homilia, frisou como padre Bello viveu no meio do povo da diocese confiada ao seu ministério: «Foi um bispo-servo, um pastor que se fez povo, que diante do Tabernáculo aprendia a deixar-se comer pelas pessoas. Sonhava uma Igreja faminta de Jesus e intolerante a todas as mundanidades». Por isso, o Papa desejou: «Seria bom que nesta diocese» de Molfetta-Giovinazzo-Ruvo Terlizzi «houvesse este aviso na porta das igrejas, para ser lido por todos: “Após a missão já não vivemos para nós mesmos, mas pelos outros». Uma admoestação, concluiu, para quantos não têm «a coragem de mudar: “os especialistas da perplexidade. Os contabilistas pedantes dos prós e dos contras. Os calculadores cautelosos até ao espasmo”».

Discurso do Papa

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23 de Outubro de 2019

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