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O grito dos sedentos

· ​Pronunciamento do cardeal Turkson na semana mundial da água ·

«É uma vergonha que muitos dos nossos irmãos e irmãs sintam sistematicamente sede ou sejam obrigados a beber água não potável, que as suas exigências sejam secundárias em relação às das indústrias que a utilizam demasiadamente e poluem aquela que resta; que os governos persigam outras prioridades e ignorem o seu grito sedento». Estas palavras foram pronunciadas pelo cardeal Peter Kodwo Appiah Turkson, na semana mundial da água – que se realiza em Estocolmo até ao dia 2 de setembro – abrindo no dia 29 de agosto uma mesa redonda dedicada a «Água e crenças», isto é ao papel das religiões na busca dos objetivos de desenvolvimento sustentável.

É «dom» – disse o presidente do Pontifício conselho «justiça e paz» – a palavra-chave que deve ser compreendida se o mundo quiser vencer o desafio de «tornar realidade o acesso universal e sustentável à água». De facto, só se compreender que «o nosso planeta, os seus recursos e os ecossistemas são um dom maravilhoso» pelo qual sentir a responsabilidade inclusive «para as gerações futuras», o homem terá a justa motivação para enfrentar e resolver este problema planetário.

Uma consciência bem clara na comunidade católica, acrescentou o purpurado, e que se encontra também noutras religiões e tradições espirituais: «a vida humana é um dom» e sabemos que «a natureza nos foi doada para ser partilhada por todos os homens, geração após geração, e que toda a família humana é chamada a cuidar da nossa casa comum».

O uso sustentável dos recursos hídricos, explicou o cardeal Turkson, é só uma das sensibilidades que mostram o forte vínculo entre fé e desenvolvimento. Não é por acaso que «colaborações frutuosas entre as religiões já estão a decorrer em diversos setores como a saúde, a segurança alimentar, os investimentos, a educação, a gestão dos recursos naturais e a assistência aos migrantes».

Sinergias fundamentais porque a ação nestes âmbitos, para ser deveras eficaz, não conta só com os dados científicos mas apoia os seus fundamentos numa forte componente motivacional: «A ciência – disse o presidente de Iustitia et pax – só pode explicar a realidade concreta, as suas substâncias e relações causais, e talvez possa quantificar a poluição nas profundidades oceânicas ou ao redor de um sítio mineiro, prevendo as consequências negativas e propondo remédios»; mas a ciência não «é capaz de fornecer a motivação para uma ação virtuosa».

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25 de Fevereiro de 2020

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