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O grito dos muitos pobres abafado pelo barulho dos poucos ricos

· ​Na missa em São Pedro a denúncia do Papa ·

«Viver a fé em contacto com os necessitados não é uma opção sociológica» nem «a moda de um pontificado», mas «é uma exigência teológica», afirmou com vigor o Papa Francisco na manhã de domingo, 18 de novembro, durante a missa celebrada na basílica vaticana por ocasião do dia mundial dos pobres.

No altar da Confissão o Pontífice presidiu ao rito na presença de milhares de indigentes e de voluntários que cuidam deles; depois almoçou com eles na sala Paulo VI, renovando uma experiência vivida também um ano depois da proclamação deste dia na conclusão do jubileu da misericórdia. Na homilia o Papa comentou o trecho do evangelho de Mateus (14, 22-33) no qual Jesus caminha sobre as águas, e inspirando-se no facto de que ele ouviu o brado de Pedro, exortou os cristãos a pedir «a graça de escutar o grito de quem vive nas águas agitadas» isto é «o grito dos pobres», o brado «estrangulado de bebés que não podem vir à luz, de crianças que padecem a o fome, de adolescentes habituados ao fragor das bombas em vez de o ser à algazarra alegre dos jogos». É, prosseguiu, «o grito de idosos descartados e deixados sozinhos. É o grito de quem se encontra a enfrentar as tempestades da vida sem uma presença amiga»; aquele «de quantos têm de fugir, deixando a casa e a terra sem a certeza de um refúgio», e o «de populações inteiras, privadas inclusive dos enormes recursos naturais de que dispõem». Substancialmente, reiterou Francisco, «é o grito dos inúmeros Lázaros que choram, enquanto poucos epulões se banqueteiam com aquilo que, por justiça, é para todos. A injustiça é a raiz perversa da pobreza», a ponto que «o grito dos pobres se torna mais forte». Mas ao mesmo tempo «de dia para dia é menos ouvido», porque – foi a denúncia do Pontífice – «é abafado pelo barulho de poucos ricos, que são sempre menos e sempre mais ricos». Eis então a advertência aos crentes: «perante a dignidade humana espezinhada – constatou o Papa – muitas vezes fica-se de braços cruzados ou então abanam-se os braços, impotentes diante da força obscura do mal. Mas o cristão não pode ficar de braços cruzados, indiferente, nem de braços a abanar, fatalista».

No final Francisco recitou o Angelus com os fiéis reunidos na praça de São Pedro, convidando-os em particular a rezar pelas vítimas do massacre ocorrido há dois dias num campo de deslocados da República Centro-Africana.

Homilia do Papa

Angelus do Papa

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22 de Agosto de 2019

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