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O espaço que fala

· Maria e a expectativa de Cristo ·

Na arte o modo mais típico de imaginar a Anunciação é o desenho do encontro frontal entre o anjo e a Virgem que vemos em obras a partir do início da idade média até ao presente.

No âmbito deste esquema aparentemente inflexível, os artistas depois desenvolveram variantes infinitas. Entre os vários exemplos, Timothy Verdon apresenta-nos a Anunciação nas portas externas do retábulo dos irmãos Van Eyck em Gand, no qual o anjo segura o lírio, Maria tem ao seu lado o livro das Escrituras e o Espírito paira sobre a sua cabeça enquanto ela formula a resposta ao convite divino. Quer o convite quer a resposta são explicitados, mas de maneira curiosa: as palavras pronunciadas pelo anjo, Ave gratia plena Dominus tecum, estão escritas como de costume da esquerda para a direita, enquanto as de Maria, Ecce ancilla Domini, estão invertidas e vão da direita para a esquerda! Nos painéis centrais, enfim, vemos uma janela aberta alusiva à luz, e um recipiente para a água, uma bacia e uma toalha limpa que aludem à pureza. Mais do que a quantidade de símbolos, nesta Anunciação é o próprio espaço que fala: o intervalo visual e emotivo que os Van Eyck deixaram entre Gabriel e Maria, como uma pausa entre o convite e a resposta. Faz pensar na hesitação de Maria diante do mensageiro divino, do vazio de tempo que tanto fascinava os teólogos da idade média.

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13 de Novembro de 2019

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