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O episcopado é um serviço de amor

· Discurso do Papa aos participantes no curso promovido pela Congregação para a Evangelização dos Povos ·

Um «serviço de amor» que «nunca deve ser entendido segundo categorias mundanas», assim Bento XVI definiu o ministério do bispo, falando aos prelados de recente nomeação que participaram no congresso promovido pela Congregação para a Evangelização dos Povos. Durante o curso de actualização para os pastores dos territórios dependentes deste Dicastério missionário e no contexto do congresso realizado em Roma pela Congregação para os Bispos, o cardeal Cláudio Hummes, Prefeito da Congregação para o Clero dirigiu-lhes uma conferência subordinada ao tema: «O bispo: pai, irmão e amigo dos seus sacerdotes». Publicamos em seguida as palavras do Santo Padre aos prelados, recebidos em audiência na manhã do dia 11 de Setembro na Sala dos Suíços do Palácio Pontifício de Castel Gandolfo.

Amados Irmãos no Episcopado!

É-me grato receber-vos e saúdo-vos com grande afecto, por ocasião do curso de actualização que a Congregação para a Evangelização dos Povos promoveu para vós, Bispos de recente nomeação. Estes dias de reflexão em Roma, para aprofundar as tarefas do vosso ministério e para renovar a profissão da vossa fé junto do túmulo de São Pedro, constituem também uma singular experiência da colegialidade, fundamentada sobre a ordenação episcopal e a comunhão hierárquica. Esta experiência de fraternidade, de oração e de estudo na Sé Apostólica aumente em cada um de vós a comunhão com o Sucessor de Pedro e com os vossos coirmãos, com os quais compartilhais a solicitude por toda a Igreja. Estou grato ao Cardeal Ivan Dias pelas suas palavras cordiais, assim como ao Monsenhor Secretário e ao Monsenhor Secretário Adjunto que, juntamente com os colaboradores do Dicastério, organizaram este congresso.

Caros irmãos, sobre vós que há pouco fostes chamados ao ministério episcopal, a Igreja deposita não poucas esperanças, acompanhando-vos com a oração e com o afecto. Também eu quero assegurar-vos a minha proximidade espiritual no vosso serviço quotidiano ao Evangelho. Conheço os desafios que tendes de enfrentar, especialmente nas comunidades cristãs que vivem a sua fé em contextos não fáceis onde, além das várias formas de pobreza, se verificam por vezes formas de perseguição por causa da própria fé cristã. Tendes a tarefa de alimentar a sua esperança, de compartilhar as suas dificuldades, inspirando-vos na caridade de Cristo, que consiste na atenção, na ternura, na compaixão, no acolhimento, na disponibilidade e no interesse pelos problemas das pessoas, pelas quais devemos estar dispostos a sacrificar a própria vida (cf. Bento XVI, Mensagem para o Dia Missionário Mundial de 2008, n. 2).

Em cada uma das vossas tarefas, sois sustentados pelo Espírito Santo que, na Ordenação, vos configurou com Cristo, sumo e eterno Sacerdote. Com efeito, o ministério episcopal só é compreensível a partir de Cristo, nascente do único e supremo Sacerdócio, de quem o Bispo se torna partícipe. Por conseguinte, ele «esforçar-se-á por assumir um estilo de vida que imite a kenosis de Cristo servo, pobre e humilde, de modo que o exercício do ministério pastoral seja nele um reflexo coerente de Jesus, Servo de Deus, e que o leve a aproximar-se como Ele de todos, do maior ao menor» (João Paulo II, Exortação Apostólica Pastores gregis, 11). Todavia, para imitar Cristo, é necessário dedicar um tempo adequado a «permanecer com Ele» e contemplá-lo na intimidade orante do diálogo de coração a coração. Estar frequentemente na presença de Deus, ser homem de oração e de adoração: o Pastor é chamado principalmente a isto. Através da oração, como afirma a Carta aos Hebreus ( cf. 9, 11-14), torna-se vítima e altar para a salvação do mundo. A vida do Bispo deve ser uma oblação contínua a Deus para a salvação da sua Igreja, e especialmente para a salvação das almas que lhe foram confiadas.

Esta oblatividade pastoral constitui também a verdadeira dignidade do Bispo: ela deriva-lhe do gesto de se tornar servo de todos, a ponto de dar a sua própria vida. Com efeito, o episcopado — assim como o presbiterado — nunca deve ser entendido segundo categorias mundanas. Ele é serviço de amor. O Bispo é chamado a servir a Igreja com o estilo do Deus que se fez homem, tornando-se cada vez mais plenamente servo do Senhor e servo da humanidade. Ele é sobretudo servidor e ministro da Palavra de Deus, que é inclusive a sua verdadeira força. O dever primordial do anúncio, acompanhado pela celebração dos sacramentos, especialmente da Eucaristia, brota da missão recebida, como ressalta a Exortação Apostólica Pastores gregis: «Se o dever de anunciar o Evangelho é próprio de toda a Igreja e de cada um dos seus filhos, pertence a título especial aos Bispos, que no dia da sua sagrada Ordenação, pela qual são inseridos na sucessão apostólica, assumem como compromisso principal o múnus de pregar o Evangelho, e de o anunciar com a fortaleza do Espírito, chamando os homens à fé ou confirmando-os na fé viva» (n. 26). Desta Palavra de salvação, o Bispo deve alimentar-se abundantemente, pondo-se à escuta contínua da mesma, como diz Santo Agostinho: «Embora sejamos pastores, o pastor ouve com trepidação não apenas aquilo que se diz aos pastores, mas também o que é dirigido ao rebanho» ( Discurso 47, 2). Ao mesmo tempo, o acolhimento e o fruto da proclamação da Boa Nova estão estreitamente vinculados à qualidade da fé e da oração. Aqueles que são chamados ao ministério da pregação devem acreditar na força de Deus, que brota dos Sacramentos e que os acompanha na tarefa de santificar, governar e anunciar; devem crer e viver quanto anunciam e celebram. A este propósito, ainda são actuais as palavras do Servo de Deus Paulo VI: «O testemunho da vida tornou-se uma condição mais essencial do que nunca para a profunda eficácia da pregação» (Exortação Apostólica, Evangelii nuntiandi, 76).

Sei que as Comunidades que vos foram confiadas se encontram, por assim dizer, nas «fronteiras» religiosas, antropológicas e sociais, e em muitos casos constituem uma presença minoritária. Em tais contextos, a missão de um Bispo é particularmente comprometedora. Contudo, é precisamente em tais circunstâncias que, através do vosso ministério, o Evangelho pode manifestar todo o seu poder salvífico. Não deveis ceder ao pessimismo, nem ao desânimo, porque é o Espírito Santo que guia a Igreja e que lhe confere, com o seu sopro poderoso, a coragem de perseverar e também de procurar novos métodos de evangelização, para alcançar âmbitos até agora inexplorados. A verdade cristã é atraente e persuasiva, precisamente porque corresponde à profunda necessidade da existência humana, anunciando de maneira convincente que Cristo é o único Salvador do homem todo e de todos os homens. Este anúncio permanece válido hoje, como o era no início do Cristianismo, quando se realizou a primeira grande expansão missionária do Evangelho.

Estimados Irmãos no Episcopado! É no poder do Espírito Santo que vós encontrais a sabedoria e a força para tornar as vossas Igrejas testemunhas de salvação e de paz. Ele orientar-vos-á ao longo das veredas do vosso ministério episcopal, que confio à intercessão materna de Maria Santíssima, Rainha dos Apóstolos. Quanto a mim, acompanho-vos com a oração e com uma carinhosa Bênção Apostólica, que concedo a cada um de vós e a todos os fiéis das vossas Comunidades.

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19 de Setembro de 2019

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