Nota

Este site utiliza cookies...
Os cookies são pequenos arquivos de texto que ajudam a melhorar a sua experiência de navegação no nosso site. Ao navegar em qualquer parte deste site você autoriza a utilização dos cookies. Poderá encontrar maiores informações sobre a policy dos cookies nas Condições de utilização.

O consagrado não é uma ilha

· Em diálogo com o arcebispo Rodríguez Carballo, secretário da Congregação para os religiosos ·

Não obstante os «profetas de desventura» e apesar das sombras e dificuldades, a vida religiosa é rica de vitalidade, de fermento evangélico, de compromisso profético mas diversas periferias existenciais. Foi um quadro realista mas cheio de confiança e esperança que o arcebispo José Rodríguez Carballo, secretário da Congregação para os Institutos de vida consagrada e as Sociedades de vida apostólica, traçou nesta entrevista ao nosso jornal.

O ano que se concluiu viu a sucessão de dois Papas. Como viveu o vosso dicastério este evento?

A Congregação recebeu a renúncia de Bento XVI com surpresa e uma certa preocupação. Surpresa porque não a esperávamos, preocupação porque estávamos muito conscientes de quanto perdíamos: Bento XVI amava a vida consagrada e prestou-lhe muita atenção. Mas quando soubemos que o seu sucessor era o cardeal Bergoglio, um religioso, a alegria foi indescritível. Agora que já passaram dez meses da sua eleição, só podemos ver na decisão surpreendente de Bento XVI um gesto profético; e na escolha do Papa Francisco um grande dom à Igreja e ao mundo, e portanto, à vida consagrada.

Que balanço podemos traçar da actividade do dicastério no ano que se concluiu?

O balanço que posso fazer é altamente positivo. O dicastério examinou o «pulso» da vida consagrada no mundo. Uma vida muito rica e fecunda, evangelicamente falando.

Como respondeis às situações de dificuldade que algumas comunidades religiosas estão a viver?

Sombras e dificuldades não faltam, assim como em todas as realidades da Igreja. Refiro-me aos abandonos, a certas situações de mediocridade e de conflito, e também à gestão dos bens. Estas dificuldades são verdadeiros desafios para o dicastério. Procuramos fazer face a isto com a consulta jurídica, acompanhando alguns institutos em dificuldade através das figuras do assistente, do visitador ou do comissário pontifício. Além disso, levamos em frente algumas iniciativas para prevenir situações não fáceis de gerir: por exemplo, em Março o dicastério organizará um seminário de estudo sobre a administração dos bens por parte dos religiosos. Por outro lado, como já disse, há uma relação estreita com o Santo Padre, que nos apoia até quando devemos tomar decisões impopulares e nos anima nas diversas iniciativas propostas pelo dicastério. Queremos um dicastério «propositivo» e não só a função de «tabelião». Gostaria de dizer também que estamos a crescer muito na colaboração interdicasterial. Realizam-se encontros frequentes entre os dicastérios.

Nicola Gori

Edição em papel

 

AO VIVO

Praça De São Pedro

15 de Novembro de 2019

NOTÍCIAS RELACIONADAS