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O cedro plantado pelo Papa

A imagem do pequeno cedro plantado num jardim por Bento XVI, juntamente com o presidente Michel Sleiman, permanecerá um dos símbolos mais claros desta viagem corajosa – num contexto difícil e dramático – do homem vestido de branco ( l’homme en blanc ) que animou todos os libaneses a não terem medo, como intitula na primeira página o diário «L’Orient Le Jour». E quem evocou o símbolo foi o próprio Papa, no início do discurso proferido no palácio presidencial de Baabda. Aqui, o Pontífice foi recebido com danças e músicas orientais, entre lançamentos de flores e de grãos de arroz, enquanto de pequenas braseiras subia o incenso, como se eleva a oração.

Prolongado e caloroso foi, em particular, o diálogo com os quatro principais chefes religiosos muçulmanos libaneses, juntamente com o patriarca maronita Béchara Boutros Raï. A cada um deles, o Papa Bento XVI quis entregar uma cópia em árabe da Ecclesia in Medio Oriente . No documento – que derivou da assembleia sinodal especial para esta região, e que o próprio Pontífice definiu como Road Map para os próximos anos – lê-se que «um Médio Oriente sem ou com poucos cristãos já não é Médio Oriente, visto que os cristãos fazem parte com os outros crentes da identidade muito particular da região».

Por conseguinte, «uns são responsáveis pelos outros diante de Deus». E ao documento – que Bento XVI assinou como primeiro acto da viagem, circundado pelos patriarcas orientais na festa da Exaltação da Cruz – fez eco o discurso papal, que defendeu vigorosamente a convivência de paz entre cristãos e muçulmanos. Precisamente a festa, nascida no Oriente nos últimos anos do longo reino de Constantino, sugeriu ao Papa a chave de leitura do documento. Com efeito, o vínculo entre morte e ressurreição de Cristo impõe aos cristãos que se tornem testemunhas de fraternidade com gestos concretos, semelhantes à decisão histórica do imperador de conceder a liberdade religiosa.

Assim, nas palavras de Bento XVI foi primorosamente alterada a interpretação predominante da promessa feita ao soberano, venerado no Oriente como santo: a vitória no sinal da Cruz é «a vitória do amor sobre o ódio», que vence todo o medo. No discurso pronunciado no palácio presidencial, a mensagem papal dirigiu-se depois a todos os libaneses, evocando a necessidade de voltar aos fundamentos do ser humano. Desde as origens, na família, lugar de formação essencial que muitas vezes no país é um lugar de convivência entre culturas e religiões diferentes.

Se «quisermos a paz, defendamos a vida», exclamou com força o Papa, recordando imediatamente em seguida que o mal não é anónimo e que o demónio procura sempre como aliado o homem. Também nas «guerras cheias de vaidade e de horrores», que devem ser impedidas. Educando – repetiu – para a liberdade religiosa, que «tem uma dimensão social e política, indispensável para a paz». Até que ela cresça como o pequeno cedro, que é símbolo do Líbano.

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16 de Setembro de 2019

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