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O amor não é uma telenovela

· Missa do Papa em Santa Marta ·

O verdadeiro amor não é o das telenovelas. Não é feito de ilusões. O amor verdadeiro é concreto, aposta nos factos e não em palavras; no dar e não na busca de vantagens. A receita espiritual para viver o amor profundamente está no verbo «permanecer», um «permanecer duplo: nós em Deus e Deus em nós».

O Papa Francisco, na missa celebrada na capela da Casa de Santa Marta na manhã de quinta-feira 9 de Janeiro, indicou na pessoa de Jesus Cristo, Verbo de Deus que se fez homem, o único fundamento do amor verdadeiro. Esta é a verdade, disse, «a chave para a vida cristã», «o critério» do amor.

«Quem permanece no amor permanece em Deus e Deus permanece nele» escreve João que, afirmou o Papa, nos diz praticamente como «este permanecer é o mesmo que permanecer no amor». E é «bom poder ouvir isto sobre o amor!», acrescentou, advertindo contudo: «Prestai atenção: o amor sobre o qual João fala não é o amor das telenovelas! Não, é outra coisa!». De facto, explicou o Pontífice, «o amor cristão possui sempre uma qualidade: o ser concreto. O amor cristão é concreto. O próprio Jesus, quando fala do amor, fala-nos de situações concretas: dar de comer aos famintos, visitar os doentes». São «situações concretas» porque justamente «o amor é concreto». É «a essência cristã».

Depois, o Papa Francisco advertiu: «quando não existe esta essência» acabamos por «viver um cristianismo de ilusões, pois não se compreende bem onde está o centro da mensagem de Jesus». O amor «não consegue ser concreto» e torna-se «um amor de ilusões». Foi uma «ilusão» também a que «tiveram os discípulos quando, olhando para Jesus, pensaram que fosse um fantasma» como narra o trecho evangélico de Marcos (6, 45-52). Mas, comentou o Papa, «um amor de ilusões, não concreto, não nos faz bem».

Mas quando acontece isto?» foi a pergunta formulada pelo Papa para compreender como se cai na ilusão e não na essência. E a resposta, disse, encontra-se muito claramente no Evangelho. Quando os discípulos pensam que vêem um fantasma, explicou o Pontífice citando o texto, «admiram-se profundamente porque não tinham compreendido o facto dos pães, a multiplicação dos pães: os seus corações endureceram-se». E «se tivermos o coração endurecido, não podemos amar. E pensamos que o amor é imaginar coisas. Não, o amor é concreto!».

O Papa Francisco sugeriu o modo para «conhecer» o estilo do amor concreto, explicando que «há algumas consequências deste critério». E propôs duas delas: a primeira é que «o amor está mais presente nas obras que nas palavras. Jesus disse: não aqueles que me dizem “Senhor, Senhor”, que falam muito, entrarão no Reino dos céus; mas os que fazem a vontade de Deus». Portanto, a exortação é para que sejamos «concretos», realizando «as obras de Deus».

O único «critério para permanecer consiste na nossa fé em Jesus Cristo Verbo de Deus que se fez carne: exactamente o mistério que celebramos neste tempo». E afirmou que «as duas consequências práticas desta essência cristã, deste critério, são que o amor consiste mais em obras do que em palavras; mais em dar que em receber».

Precisamente «olhando para o Menino, nestes três últimos dias do tempo de Natal», olhando para o Verbo que se fez carne», o Papa Francisco concluiu a homilia exortando a renovarmos «a nossa fé em Jesus Cristo verdadeiro Deus e verdadeiro homem. E peçamos a graça – disse – de que nos conceda esta essência do amor cristão para permanecermos sempre no amor» e, por conseguinte, fazendo com que «Ele permaneça em nós».

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15 de Outubro de 2019

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