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No sinal de Newman

Foi uma viagem cujo sucesso evidente confundiu os meios de comunicação locais e internacionais que, com o passar das horas, tiveram que abandonar as polémicas e os aspectos secundários que a precederam, e admitir o crescente interesse suscitado na opinião pública britânica, a todos os níveis. Milhares de pessoas participaram nas celebrações.

A estima espiritual de Bento XVI por esta grande figura da Igreja na Inglaterra é testemunhada não só pela referência constante à actualidade da sua mensagem, mas sobretudo por ter desejado presidir pessoalmente, pela primeira vez no seu Pontificado, à missa de beatificação. Bento XVI foi também o primeiro Papa a visitar Birmingham, uma das cidades mais multiétnicas da Europa.

O Papa chegou em helicóptero às colinas verdes da Inglaterra central, humidecidas pelas fortes chuvas que precederam a celebração. Em Cofton Park, abençoou uma estátua do cardeal Newman, realizada pelo escultor Tim Tolkien, bisneto do autor da trilogia do Senhor dos anéis, John Ronald Reule Tolkien, que depois da morte da sua mãe, foi confiado aos sacerdotes do Oratório de São Filipe Neri. Permaneceu com eles quase sete anos durante a adolescência. Narra-se que as duas torres vizinhas — Perrott’s Folly e Waterworks — inspiraram a sua obra literária.

Visivelmente emocionado Jack Sullivan, o homem cuja cura foi reconhecida como um milagre devido à intercessão do cardeal Newman, proclamou o Evangelho. Americano de Boston, 71 anos, sofria de uma doença neurológica grave, mas a 15 de Agosto de 2001 sarou completamente. A festa litúrgica de John Henry Newman será 9 de Outubro, data da sua conversão.

No final, após a recitação do Angelus, o Papa dirigiu-se ao Oratório de São Filipe Neri em Edgbaston, onde Newman transcorreu grande parte da sua vida como católico e faleceu a 11 de Agosto de 1890. Bento XVI foi recebido pelo reitor, monsenhor Richard Duffield — postulador da causa de canonização — e rezou em silêncio diante da urna que contém os despojos, recuperados depois do reconhecimento de 2008, e deteve-se nos aposentos do beato, actualmente meta de numerosos visitantes: transcorreu alguns minutos no modesto quarto, cheio de livros; viu a escrivaninha simples de madeira e a capelina; folheou os manuscritos.

A antecipação deste intenso momento de oração foi vivida com milhares de jovens, no final da tarde de sábado, durante a vigília no Hyde Park em Londres. Cerca de 80 mil jovens participaram no encontro. «O coração da Igreja» foi o tema proposto para a reflexão. Foram apresentados filmes e testemunhos sobre o trabalho que a Igreja britânica realiza através das cáritas.

No seu discurso, o Papa recordou que naquele mesmo lugar se erguia Tyburn, um patíbulo no qual muitos católicos enfrentaram o martírio, proclamando até ao último respiro a própria fé. Ainda hoje, quem quiser exprimir os próprios sentimentos pode usufruir do speakers’ corner, uma parte do parque reservada exactamente a essas manifestações.

De volta à nunciatura, Bento XVI saudou os grupos de fiéis que o aplaudiam. Esta presença confirmou o afecto que também Londres demonstrou ao Papa. E a decisão de se mostrar mais uma vez, como já tinha feito nos dias anteriores, explica bem o clima desta viagem. Uma atmosfera de entusiasmo, sentida também pelo primeiro-ministro Cameron. Durante a cerimónia de despedida, na tarde de domingo, no aeroporto internacional de Birmingham, o Primeiro-Ministro britânico definiu «histórica» a visita, e «quatro dias incrivelmente comovedores» que o país viveu ao lado de Bento XVI.

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22 de Setembro de 2019

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