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No Evangelho encontra-se o Jesus histórico

· Debate sobre o livro de Bento XVI ·

A 20 de Fevereiro, teve lugar no auditório da universidade de Turim o primeiro de uma nova série de encontros sobre o livro de Joseph Ratzinger — Bento XVI, Jesus de Nazaré. Desde a entrada em Jerusalém até à ressurreição (2011), promovida pela Libreria Editrice Vaticana nas universidades italianas sob a direcção científica de Pierluca Azzaro. O encontro foi organizado pela Associação Santo Anselmo, juntamente com o Projecto cultural da diocese, com a participação da universidade, do departamento escolar regional, do Salão internacional do livro, do Círculo dos leitores e com o patrocínio da Região do Piemonte. Publicamos uma síntese da intervenção do arcebispo de Turim.

Asegunda parte do livro de Bento XVI sobre Jesus de Nazaré oferece sob um ponto de vista quer do conteúdo quer da metodologia uma contribuição significativa, competente e importante para favorecer uma abordagem teológico-bíblica e ao mesmo tempo sapiencial e catequética para a compreensão da pessoa de Jesus e da sua mensagem.

Em primeiro lugar, devemos compreender bem o objectivo que Bento XVI definiu ao enfrentar a figura de Jesus com os dois volumes que nos ofereceu. A finalidade está bem delineada no preâmbulo desta segunda parte. O desejo do Papa é favorecer o encontro com o Jesus real a partir de um exame rigoroso e fiel dos textos evangélicos. Com efeito, ele sublinha que o Jesus histórico, como aparece na exegese moderna, se revela demasiado insignificante no seu conteúdo para poder estabelecer uma relação com a pessoa de Cristo além do que se realiza com qualquer personagem da história: «É ambientado principalmente no passado para permitir uma relação pessoal com Ele» (p. 9). Por isso o Papa demonstra que é a partir do Jesus dos Evangelhos que a mente e o coração se abrem para encontrar o Jesus histórico, e não vice-versa. Trata-se de encontrá-lo para acreditar n’Ele, viver d’Ele e testemunhá-lo com alegria a todos.

Esta tarefa é muito mais exigente para esta segunda parte da obra, dado que aqui se enfrentam os textos evangélicos relativos às palavras e aos acontecimentos mais importantes da vida de Jesus. Contudo, permanece sempre o princípio, perseguido com método científico e pesquisa minuciosa, de começar a partir da hermenêutica dos Evangelhos sem ignorar a razão histórica dos acontecimentos que necessariamente está contida nela e por conseguinte sustenta de certa maneira a fé, que o texto sagrado exprime como Palavra de Deus, para todos os homens e para todos os tempos. O Papa desenvolve a sua reflexão utilizando os quatro Evangelhos, enriquecidos por excertos do Antigo e Novo Testamento, e com referências específicas e amplas aos Padres da Igreja e aos escritores cristãos antigos e modernos. E tudo isso mediante considerações que, além da exegese e da interpretação em chave teológica e sapiencial do texto sagrado, oferecem orientações concretas para a vida da Igreja e o testemunho da fé.

Outro aspecto significativo da reflexão do Papa sobre os acontecimentos centrais da vicissitude histórica de Jesus é representado por uma apologética moderna, rigorosa e documentada, que considera as perguntas e questões mais debatidas sobre a interpretação dos textos bíblicos e dá respostas apropriadas através do uso da razão e da fé, num diálogo incessante e fecundo para ambos, segundo o ditado de Agostinho: intellectus quaerens fidem et fides quaerens intellectus .

A reflexão de Bento XVI procede sempre de forma linear e através do confronto aberto com os exegetas e as várias hipóteses dos seus estudos, especialmente dos últimos séculos. Ele respeita as diversas posições, mas não desdenha contrastar claramente algumas teorias que, segundo a sua opinião, não são fundamentadas sob o perfil científico e teológico. Portanto, argumenta como teólogo e raciocina a partir da hermenêutica própria do estudioso, mas prestando atenção especial a fim de que o seu discurso seja simples e compreensível ao público mais amplo para o qual se dirige.

Por fim, são igualmente importantes os trechos breves e sintéticos em que o Papa resume a verdade de quanto foi documentado amplamente e que se parecem com uma luz que ilumina a reflexão desenvolvida, abrem à oração e à profissão de fé e apoiam o agir quotidiano do crente. Esta, afinal, é a razão devido à qual Bento XVI enfrentou o trabalho de escrever os dois volumes sobre Jesus de Nazaré, realizando deste modo a sua missão de sucessor de Pedro: confirmar na fé os discípulos do Senhor. Uma fé que responda à pergunta de Jesus: «E vós, quem dizeis que Eu sou?» ( Mt 16, 15), com a mesma certeza da profissão de Pedro: «Tu és o Cristo, o Filho de Deus vivo» ( Mt 16, 16). Foi a resposta que o Papa fez sobressair com clareza e profundidade dos Evangelhos que, como nos recorda o apóstolo João, foram «escritos para que acrediteis que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais a vida em Seu nome» ( Jo 20, 31).

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16 de Setembro de 2019

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