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Nenhuma festa Só oração

· O Papa Francisco é esperado em Lampedusa na segunda-feira ·

«O Papa vem a Lampedusa para rezar e nós esperaremos por ele, rezando». O arcebispo de Agrigento, D. Francesco Montenegro, explica assim o clima de expectativa que se vive na ilha e em toda a arquidiocese nestas horas que precedem a chegada do Papa Francisco. Na tarde de sexta-feira realizaram-se vigílias em todas as igrejas agrigentinas. «A participação – frisou o prelado – foi excepcional. Quisemos dar graças ao Senhor por este presente do céu, que chega depois de anos de sofrimento para tantos nossos irmãos imigrados os quais, fugindo das guerras e da  pobreza, perseguiram a esperança de um futuro melhor. E, ao contrário, muitos encontraram só a morte». Mas «pedimos também ao Senhor – acrescentou o arcebispo – a graça de dilatar os nossos corações para  acolher o outro». Na noite de domingo, poucas horas antes da chegada do Pontífice, realizou-se também em Lampedusa uma vigília.

Portanto, é a oração  que dá ritmo à expectativa. A mesma oração que caracterizará as poucas horas que o Papa passará na ilha na segunda-feira, dia 8. Nenhuma  festa nem momento protocolar. Serão protagonistas só os imigrados e os habitantes de Lampedusa que os hospedam. E a oração do Papa Francisco será  realmente sem  fronteira alguma, dedicada aos milhares de pessoas sem nome nem rosto, provavelmente em grande parte muçulmanos, que o mar engoliu enquanto procuravam a salvação da miséria e das violências.

Mas no coração do Santo Padre estão também os habitantes de Lampedusa. População de mar, orgulhosa, forte, que conhece bem e pratica a solidariedade que necessariamente une o povo do mar. Contudo, depois de muitos anos de sacrifícios, este mesmo povo começa a perder a confiança.  Na ilha circula uma frase muito significativa sobre o seu estado de ânimo: «Já nos esquecemos até dos santos». Efectivamente, receberam tantas  promessas. Sobretudo, nos dias mais difíceis, os de 2011, quando já não sabiam  onde alojar os imigrados. Mas todas foram regularmente não cumpridas. E se hoje o entusiasmo se reacende é porque sabem que o Papa vai ter com eles não para fazer promessas, mas para demonstrar concretamente o seu amor, a sua solidariedade e a sua oração.

Não é por acaso que o Presidente da Câmara Municipal das Pelágias, Giuseppina Nicolini, garantiu que «Lampedusa não se vestirá à festa para a visita do Papa Francisco. Queremos que veja a ilha como é. Certamente – explica – faremos o possível para ser acolhedores e garantir segurança e ordem. Mas o Santo Padre deve ver a ilha com os barcões ainda ali, assim como foi abandonada no decurso dos anos». A comunidade de Lampedusa não quer dar uma mensagem falsa: «Finalmente o mundo dar-se -á conta de nós. Ninguém, temos a certeza, depois da visita do Papa poderá fechar os olhos diante deste drama».

Todavia, tem necessidade de um mínimo de preparativos. Por exemplo foram demolidos os muros do campo desportivo onde o Papa celebrará a missa. «Tornou-se necessário – explicou o Presidente da Câmara Municipal – caso contrário não poderia conter todas as pessoas que assistirão à missa». De facto, aguardam-se  mais de quinze mil pessoas.   Virão  de toda a Sicília e de outras regiões. Por isso, foram intensificados os transportes  marítimos de e para as Pelágias. Com um ferryboat foram levados também alguns quilómetros de barreiras, que serão dispostas ao longo das ruas que o Papa percorrerá, acabadas de ser asfaltadas.

O programa da viagem é essencial. O Santo Padre parte às 8 horas do aeroporto de Ciampino e aterra às 9h15 em Lampedusa. Será recebido no aeroporto pelo arcebispo e pelo presidente da câmara municipal. De carro, irá a cala Pisana onde se embarcará para chegar ao porto da ilha por mar. Durante a breve travessia será acompanhado pelos pescadores nas suas embarcações. Ao largo, nas proximidades da porta da Europa, o Papa lançará uma coroa de flores em memória de quantos perderam a vida no mar. Às 9h30, a embarcação entrerá em ponta Favarolo, onde habitualmente atracam as que transportam os imigrados. No cais o Santo Padre encontrará uma pequena representação de imigrados, depois irá ao campo desportivo, na freguesia Arena, próximo do lugar no qual estão amontoados os restos das embarcações dos migrantes. Às 10 horas será celebrada a missa e no final  o Papa visitará a paróquia de São Gerlando. Às 12h30 partirá do aeroporto, regressando a Roma.

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19 de Novembro de 2019

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