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Nas pegadas do predecessor

Um traço indelével: eis o resultado da visita a Cuba do Papa Wojtyła segundo o seu sucessor, que aqui chegou quase quinze anos mais tarde e quis dedicar precisamente a João Paulo II as suas primeiras palavras  em terra cubana. Para muitos, crentes e não-crentes, o exemplo e os ensinamentos do Pontífice que veio de longe são uma «guia luminosa que os orienta quer na vida pessoal quer na acção pública ao serviço do bem comum da nação» disse significativamente Bento XVI.

Para a Igreja em Cuba a visita do Papa  Wojtyła foi como «uma brisa leve de ar fresco» que lhe deu novo vigor, despertando em muitos uma «consciência renovada da importância da fé» e abrindo uma etapa de mais colaboração e confiança nas relações entre Estado e Igreja.

Contudo, neste âmbito – realçou com clareza o Papa –  ainda há muito a fazer, sobretudo em relação à «contribuição imprescindível» da religião no âmbito público.

Portanto, nas pegadas de João Paulo II, o seu sucessor iniciou a etapa caribenha desta viagem americana, inaugurada com o grande entusiasmo  dos dias transcorridos no México. Benedicto, hermano, ya eres mexicano («Bento, irmão, agora és mexicano») ouviu-se entoar nas ruas abarrotadas e no Parque do bicentenário aos pés do Cubilete pelas multidões impressionantes pelo número – num total, com muita probabilidade, de mais de um milhão e meio de pessoas – e com um entusiasmo reconhecido pelo próprio Pontífice. E um afecto confirmado pelas saudações de despedida tanto do presidente Felipe Calderón como a  comovida de Bento XVI.

No México o Papa dirigiu-se, olhando com esperança para o futuro, a todo o continente: neste  sentido, foram emblemáticas a presença na catedral de Léon  dos representantes dos episcopados latino-americanos e as palavras do presidente da sua conferência episcopal, D. Carlos Aguiar Retes. De modo análogo, na chegada a Santiago – apresentando-se  como «peregrino da caridade», no quarto centenário de uma   veneradíssima imagem mariana, a Virgem do Cobre – Bento XVI afirmou que tem no coração «as aspirações justas  e os desejos legítimos de todos os cubanos, onde quer que estejam», e voltou a falar sobre a crise económica, da qual muitos indicam o carácter espiritual e moral, porque falta uma ética que dê a prioridade à pessoa humana.

Memorável pela sobriedade e o número de participantes – mais de duzentas e cinquenta mil pessoas, entre as quais na primeira fila o presidente Raúl Castro, que tinha recebido o Papa na chegada – foi a primeira missa em terra cubana, enquanto a noite ia devorando uma enorme imagem do líder da revolução que sobressaia diante do altar. Falando sobre a anunciação, Bento XVI disse, entre outras coisas, que Deus, com a encarnação, entrou na história humana, e quando dela é expulso o mundo  transforma-se num «lugar inóspito para o homem».

Então, graças à obediência de Maria, imagem da Igreja, surgiu um mundo novo. Por isso é preciso lutar dia a dia, mas com as armas da paz e do perdão que reflectem a bondade de Deus.

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23 de Setembro de 2019

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