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Mulheres intelectuais

Embora hoje as mulheres desempenhem novas funções na vida cultural da Igreja – uma mulher foi nomeada reitora de uma universidade pontifícia, uma estudiosa recebe o prémio Ratzinger, religiosas editoras festejam o centenário – fruto também da providencial decisão conciliar de abrir às mulheres o estudo e o ensino da teologia, a história recorda-nos que nos séculos passados não faltaram mulheres que contribuíram para a construção da tradição católica, em medida não inferior à dos homens. 

Nancy Earle, «Circle of Friends» (1997)

Helena, a mãe de Constantino, inventou a peregrinação aos lugares santos e o culto das relíquias de Jesus; Brígida ofereceu com as suas visões imagens fundamentais para a representação artística dos momentos decisivos da narração evangélica; Teresa de Ávila transformou a experiência mística em algo de narrável e portanto imitável; Margarida Maria Alacoque propôs o que se tornou o símbolo de devoção mais famoso no mundo católico, o Sagrado Coração; madre Teresesa ensinou que assistir os moribundos no inferno de Calcutá era tão importante quanto cuidar e curar. Poder-se-ia continuar por aí fora, porque as mulheres com a sua inteligência, fantasia, fé e intuições deram um contributo importante para a construção da cultura da Igreja. Que contudo foi muitas vezes esquecido, ou não reconhecido no seu valor intelectual. Por exemplo, se também na cultura católica hoje são acolhidas – e devemos alegrar-nos por isso – intelectuais como Etty Hillesum e Simone Weil, continuam a ser pouco conhecidas e menosprezadas mulheres católicas que no vigésimo século, com razão podem ser comparadas com elas: de facto, Dorothy Day, Adrienne von Speyr e Catherine Doherty, não só foram escritoras de talento mas forneceram uma contribuição espiritual de alto nível. Todas traçaram novos percursos espirituais adequados para a sociedade moderna, e dedicaram a sua vida a difundi-los com um entusiasmo e um calor que as tornaram capazes de despertar a fé em contextos que parecia que somente a recusassem. Por quê esquecê-las ou marginalizá-las, quando têm todo o direito de fazer parte da tradição cultural católica e ainda têm muito para dizer a mulheres e homens de hoje? (l.s.)

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17 de Agosto de 2019

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