Nota

Este site utiliza cookies...
Os cookies são pequenos arquivos de texto que ajudam a melhorar a sua experiência de navegação no nosso site. Ao navegar em qualquer parte deste site você autoriza a utilização dos cookies. Poderá encontrar maiores informações sobre a policy dos cookies nas Condições de utilização.

Mulheres em fuga

Estamos a habituar-nos a ver os corpos das crianças náufragas, imóveis: é esta a imagem mais dura, desumana, intolerável para quantos se preocupam com o valor da vida. Chegamos ao ponto mais baixo mas a subida ainda não começou. Os novos dados de 2016 sobre as tragédias no mar não dão espaço a incertezas ou esperanças: pelo menos 600 crianças e 3800 adultos já perderam a vida ou resultam dispersos no Mediterrâneo, que se confirma o cemitério dos desesperados em fuga de guerras e pobreza no sul do mundo. Mas este não é um processo só europeu. 

Lewis Hine, «Imigrantes italianos na Ellis Island»  (1905)

Há outro confim, entre Estados Unidos e México, onde todos os anos centenas de pessoas morrem na tentativa de o atravessar. Partem quase sempre da América Central para se juntar a um familiar nos Estados Unidos. Muitos não conseguem, morrem devido às privações ou são vendidos aos traficantes de seres humanos. É exatamente a todos eles, e em particular às mulheres que emigram, duplamente vítimas, que queremos dedicar este número de «mulheres igreja mundo», o último deste ano: às pessoas em fuga que, deslocando-se em massa, modificam a geografia dos confins e a geopolítica mundial, desarranjam os equilíbrios e nos obrigam a reconsiderar os nossos valores mais profundos. O fio que liga as histórias de mulheres que aqui propomos refere-se à solidão do percurso, onde da esperança da partida se entra rapidamente num verdadeiro calvário em nome da vida futura. Abandonadas a si mesmas, bloqueadas às portas da Europa ou da América ou em fuga dos países asiáticos, estas migrantes são vítimas impotentes de violências contínuas. Involuntariamente, estas mulheres são protagonistas de um dos capítulos da terceira guerra mundial evocada pelo Papa. Portanto, digamo-lo. Admitámo-lo. Não continuemos a iludir-nos: podemos até construir muros sempre mais altos, mas as deslocações de pessoas continuarão. Atrás não se voltará. E comecemos a pensar em novas políticas, em intervenções de integração sérias, numa pastoral migrante que acompanhe mulheres e crianças ao longo de todo o percurso. Numa palavra, as pessoas «descartadas». (silvina pérez)

Edição em papel

 

AO VIVO

Praça De São Pedro

22 de Agosto de 2019

NOTÍCIAS RELACIONADAS