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Mulheres e sacerdotes

Estamos absolutamente persuadidas disto: é um ponto central para a vida futura da Igreja. Durante demasiado tempo ignorada por misoginia, medo, desconfiança, comodidade e ignorância, a questão da relação entre os sacerdotes e as mulheres é fundamental para que a vida no seio da comunidade cristã seja verdadeiramente um fecundo encontro de crescimento e de maturação para todos.

«Roma cidade aberta» (1945)

Por que motivo – no sulco de uma tradição extremamente longa e deturpada – as mulheres ainda são vistas pelo clero como um problema? Como presenças perigosas para a integridade de uma vocação e não, ao contrário, como fonte de riqueza? Por que razão as mulheres estão efectivamente ausentes no percurso formativo dos seminaristas? Como recorda Caterina Ciriello, na Pastores dabo vobis, a exortação apostólica de João Paulo II, que já remonta ao distante ano de 1992, ressalta-se «a conotação essencialmente “relacional” da identidade do presbítero»: mas que relação se pode eventualmente construir, se eles nunca se encontram, de igual para igual, diferente de si? Também porque, uma vez que se tornam pastores, os ex-seminaristas – quer sejam párocos, missionários, professores... passam a viver num mundo povoado por homens e mulheres. E com esta realidade, deverão exercer o seu ministério sem preconceitos nem obsessões, sem excessos nem arrogância. Trata-se de uma imagem de grande dor, a cena memorável de Roma cidade aberta, a obra-prima cinematográfica assinada por Roberto Rossellini imediatamente a seguir ao fim da segunda guerra mundial. No preto e branco poético e terrivelmente real do padre Pietro (Aldo Fabrizi), que tem entre os braços o corpo sem vida de Pina (Anna Magnani), encontramos cada vez o poder de uma «pietà» invertida, na qual não é ela que o chora, mas é ele que a embala e abraça. Ele, o sacerdote, fixa-a nos olhos. Um presbítero que – de igual para igual – fita os olhos de uma mulher com a qual chorou e riu, esperou e rezou. Com quem, no amadurecimento recíproco, percorreu um trecho de caminho. (giulia galeotti)

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24 de Agosto de 2019

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