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Mulheres e ironia

«The advantages of being a woman artist»: corria o ano de 1988, quando o grupo de artistas feministas radicais norte-americanas Guerrilla Girls publicava um contundente manifesto que, com ironia, enumerava as vantagens das artistas mulheres em relação aos colegas homens. 

Trabalhar sem a pressão do sucesso; saber que a tua carreira poderia ter sucesso depois dos oitenta anos; ter a certeza de que qualquer obra que tu possas produzir será sempre etiquetada como feminina; ver que as tuas ideias vivem nos trabalhos dos outros; ter mais tempo para trabalhar, quando o teu companheiro te deixar por uma mulher mais jovem; não correr o risco embaraçoso de ser definida um génio; ter a oportunidade de escolher entre carreira e maternidade; não ficar presa numa posição académica. Expressando com um sorriso amargo a frustração que muitas mulheres — também não artistas — encontram na sua vocação e no seu trabalho, este manifesto permanece a expressão da arte da ironia, que ao longo dos séculos viu as mulheres na linha de vanguarda. Não apenas como vítimas, mas também como fustigadoras. A tradição católica não foi menos incisiva: a arma da ironia feminina desempenhou — e continua a desempenhar — um papel importante, quer para desdramatizar quer para denunciar. De Teresa de Ávila a Flannery O’Connor, de Madeleine Delbrêl a Teresa de Lisieux: para além dos séculos e das latitudes, da idade e do carisma, a ironia permitiu que muitas mulheres chamassem a atenção para vícios, sonhos, méritos e carências, com força mas sem rancor. E a propósito de variedade em termos de latitudes, idades e carismas, por ocasião do terceiro aniversário, «mulheres igreja mundo» dá um passo importante, na tentativa de completar a sua visão, conferindo ainda mais importância às três palavras do título, escritas sem maiúsculas nem vírgulas. Com efeito, a partir deste número, na redacção entram a irmã Catherine Aubin, teóloga francesa dominicana, a irmã Rita Mboshu, teóloga congolesa das Filhas de Maria Santíssima co-Redentora, e Silvina Pérez, jornalista argentina. Uma Igreja, três velas, seis mulheres e tanta ironia. (giulia galeotti)

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18 de Outubro de 2019

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