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A mão sábia de Deus

· Sínodo sobre a família e jubileu da misericórdia ·

Há uma pergunta recorrente que me parece sobressair com força do debate público e também do encontro pessoal com muitos fiéis: o que se pode esperar do sínodo sobre a família e do jubileu da misericórdia? A resposta é simples, e é sempre a mesma: não aguardamos um congresso de partido, nem de uma disputa desportiva na qual é preciso esperar que alguém vença uma eleição ou uma competição.

Ao contrário, estamos à espera com «uma fé recta e uma esperança certa» — como dizia são Francisco quando rezava diante do crucifixo — que a obra do Espírito Santo possa inspirar tanto os padres sinodais, no seu discernimento pastoral neste «caminho comum» que é o sínodo, como todos os homens e mulheres de boa vontade neste ano de graça.

Também porque a pergunta que devemos fazer é outra: que frutos dará na existência de cada pessoa, não apenas na vida da Igreja, esta aproximação entre o sínodo sobre a família e o jubileu a da misericórdia? Inclusive neste caso, a resposta é igualmente simples: os frutos da acção da misericórdia serão visivelmente concretos e não uma simples evocação ideal.

Com efeito, não há nada de mais surpreendente e consolador do que tocar com a mão a misericórdia de Deus. Por exemplo, através do sacramento da confissão. A faculdade conferida a todos os presbíteros, para o ano jubilar, de «absolver do pecado de aborto quantos o cometeram e, arrependidos de coração, pedem o perdão» é um momento de grande significado no qual se mede a sabedoria milenária da Igreja.

Sobre esta concessão feita pelo Papa Francisco, alguns religiosos escreveram-me cartas cheias de alegria, manifestando a sua emoção. Alegria e emoção que tive o ónus e a honra de conhecer pessoalmente. Com efeito, conheci mulheres que choraram a vida inteira. Contava-me uma mulher, hoje no céu, mãe de quatro filhos, que numa época de grande pobreza para a sua família, tinha interrompido duas vezes a gravidez, mas cada dia, em todos os momentos, pensava com remorso naquelas duas pequenas criaturas.

Ao contrário, encontrei outras mulheres que, por ignorância, julgavam que depois da legalização civil do aborto, o pecado já não existisse e que, portanto, o aborto fosse legítimo também religiosamente. Enfim, encontrei mulheres muito jovens que, em lágrimas, me narraram que foram obrigadas a abortar por um companheiro que depois as deixou sozinhas na dor e na angústia.

Estes acontecimentos dramáticos penetram como uma espada afiada nas vísceras de uma pessoa. Mas para tirar aquela espada, que se enfiou entre o coração e a alma de uma mulher, não é suficiente a força de uma mão de homem, mas é inderrogavelmente necessária a mão sábia de Deus. Uma mão que cuida e consola, que cura e acaricia. E que derrama o remédio da misericórdia nas feridas sanguinolentas das pessoas.

Por conseguinte, a tarefa principal de cada mulher e de cada homem consiste em pôr-se na condição justa para receber este remédio e para não impedir os seus efeitos com uma série de esquemas mentais fixos e caducos, com os egoísmos camuflados de bons propósitos e com uma verdade às vezes confundida só com a opinião pessoal.

Em definitivo, a necessidade de sentido que as pessoas experimentam em cada época é a raiz do dinamismo da misericórdia. Somente quem se abre consegue vislumbrar e sorver a sua beleza.

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15 de Novembro de 2019

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