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Manso e humilde de coração

Mateus 11, 25-30

As palavras com as quais Jesus dá graças ao Pai por ter revelado a boa notícia aos mais pequeninos e a não aos sábios, no texto grego são introduzidas de maneira estranha e obscura: «Naquele tempo, respondendo, Jesus disse...». Dado que não há interrogação alguma, a nossa tradução eliminou o verbo retorquir, mas interrogamo-nos do mesmo modo a quem e como responde Jesus.

Responde aos acontecimentos da vida que interpelam a sua fé, e fá-lo rezando. Assim, a oração torna-se resposta àquela amargura, àquela falência e àquela incompreensão da sua obra — Ele, Filho do homem, é considerado como se fosse um comilão e um beberrão, amigo de publicanos e de pecadores — que são testemunhadas poucos versículos antes, e que acabam com a repreensão contra as cidades que tinham visto os seus milagres e não acreditaram (cf. Mateus 11, 19-24).

A posição de Jesus diante do Pai proporciona-lhe a possibilidade de assumir aquilo que aconteceu, por mais amargo e contraditório que seja, e a capacidade de reconhecer aí um caminho de amor e obediência que abate quaisquer recriminações e lamentações. Somente assim Ele pode voltar a descobrir o sinal do agir de Deus e dar-lhe graças. A oração como resposta empenha Jesus numa relação, num relacionamento de obediência, conotando a sua pessoa como mansa e humilde de coração. Não se trata de uma sua caraterística pessoal, mas sobretudo de uma revelação do agir e do ser do próprio Deus. E Jesus, manso e humilde de coração, deseja plasmar do mesmo modo aqueles pequeninos que se aproximam dele de todas as partes para o ouvir.

Jesus transmite com grande força aquilo que lhe foi concedido pelo Pai, a fim de que eles sejam seus discípulos. Antes de tudo, chama-os a uma renúncia à vontade pessoal e a uma disponibilidade a segui-lo, a estar atrás dele no peso e no cansaço da vida: «Vinde a mim, vós que estais cansados...». Depois, convida-os a pôr-se na sua escola: «Aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração...». O manso não é assim desde o início: a vida humano-cristã, a existência comunitária no seu movimento de olhar para o outro com consideração, no mistério de uma vocação, geram-nos dia após dia para a mansidão; ela produz paciência, e a paciência uma virtude provada, a perseverança; e a virtude provada, a esperança (cf. Romanos 5, 3-4). Enfim, com palavras de profunda consolação, Jesus pede-nos que vamos ter come Ele com confiança, porque Ele é o mestre que não sobrecarrega ninguém com pesos insuportáveis: «Tomai o meu jugo e encontrareis alívio para as vossas vidas». Onde estão a alegria e o descanso? Onde estão a leveza e a suavidade prometidas?

Num escrito de Guilherme de Saint-Thierry, que serve de comentário para este texto, lemos palavras postas nos lábios do Senhor: «Tu gemes e lamentas-te debaixo do meu jugo, cansas sob o eu fardo, mas é o amor que confere ao meu jugo a docilidade, e ao meu fardo a leveza (...). Queres o amor? Pois bem, tu empreendeste o caminho que conduz à vida: se não abandonares esta senda, chegarás à meta almejada. Eu caminho diante de ti, e tu só deves pôs os teus passos nos meus. Eu cansei, resisti: também tu faz o mesmo, é necessário que também tu te canses. Eu suportei muitos sofrimentos: também tu deves padecer algo. O caminho que leva a amor é a obediência. Tem firme este ponto e chegarás. O amor é um tesouro imenso, vale a pena que se pague todo o preço necessário para o adquirir. Sim, Deus é amor: quando tiveres alcançado o amor, então já não te cansarás. (...) Ajudar-te-ei a suportar a tua fadiga, fui Eu quem a suportei até agora e até aqui, sou Eu quem ainda a suportarei» (Dalla meditazione alla preghiera, Edizioni Qiqajon).

Na obediência, na paciência que brota da confiança, podemos experimentar o alívio precisamente no âmago do cansaço, que existe e subsiste; podemos chegar a provar as inegáveis leveza e docilidade até quando estamos submetidos a um peso escolhido livremente e por amor, o jugo que o próprio Senhor suportou, e assim podemos saborear a bem-aventurança que Ele prometeu: «Bem-aventurados os mansos, porque herdarão a terra».

pelas irmãs de Bose

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18 de Agosto de 2019

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