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Magistério do essencial

· A visita de Bento XVI a «L’Osservatore Romano» ·

Com a sua visita à sede de «L’Osservatore Romano» o Papa, além de manifestar o seu apoio e a sua proximidade ao jornal e a quantos o tornam possível todos os dias, deu a todos uma magnífica lição de jornalismo. Explicou como deve ser um verdadeiro jornal, não só do ponto de vista cristão, mas também profissional: a conjunção do próximo e do universal (católico), a união diária da Urbs et Orbis e as ideias básicas que a suscitam, a presença do íntimo e do transcendente na vida dos homens e da Igreja, na esfera política mais autêntica e no campo religioso. Em última análise, as questões de Deus e da sua Igreja e as da cidade terrena, na harmonia admirável entre critério católico e escolhas profissionais de quantos elaboram um jornal internacional prestigioso e famoso.

Assim Bento XVI ofereceu o melhor comentário ao lema — Unicuique suum e Non praevalebunt — presente no cabeçalho do jornal da Santa Sé, que acabou de completar cento e cinquenta anos.

Indubitavelmente, ainda suscita uma certa surpresa a grande sabedoria do Papa, com a qual Deus abençoou a sua Igreja; sabedoria demonstrada a cada passo com a naturalidade admirável que confere profundidade quer ao acontecimento mais simples e familiar, como foi a visita a «L’Osservatore Romano», quer aos eventos mais solenes, como as bonitas liturgias papais.

Quer no seu magistério mais importante, como as encíclicas, quer na sua pesquisa e no seu ensinamento teológico, plasmados nos volumes da sua obra Jesus de Nazaré — que, como ele mesmo confessa, não é de modo algum um acto de magistério pontifício, mas apenas uma expressão compartilhada da sua busca pessoal da face do Senhor — o Papa nunca deixa de nos oferecer a luz maravilhosa da sua sabedoria cristã, que ilumina o nosso tempo. Ele adquiriu-a com grande dedicação e estudo, graças à assistência do Espírito Santo, e distribui-a com generosidade.

Tudo isto, sem esquecer os seus compromissos normais, que vão da recitação semanal da oração mariana do Angelus — durante a qual ele comenta o Evangelho do domingo e interpreta na perspectiva cristã acontecimentos contemporâneos — à catequese de quarta-feira, passando pelos discursos e homilias ligados a acontecimentos particulares. Em tudo isto, Bento XVI exerce um verdadeiro magistério do essencial, imprescindível neste momento histórico e ecelsial.

As suas palavras e os seus escritos revelam naturalmente a profundidade, a erudição e a sabedoria de um teólogo extraordinário, do professor dedicado à pesquisa e ao ensino que, a exemplo dos seus antigos mestres Söhngen e Guardini, se interroga constantemente sobre a actualidade da verdade acreditada. E, ao mesmo tempo, revelam a maestria catequética daquele que, pouco tempo depois de ter sido ordenado sacerdote, há sessenta anos, foi em Munique coadjutor da paróquia do Preciosíssimo Sangue.

Mas, sobretudo, Bento XVI vai ao essencial da fé, aos seus elementos constituintes, às questões sobre as quais se alicerça o edifício do crer pessoal e eclesial: Deus, Cristo, o Espírito Santo, a fé, a caridade, a esperança, a verdade, a Igreja, a Eucaristia, a Sagrada Escritura, Maria, o mistério da Liturgia, o sacerdócio e a verdade acerca do homem. É por isso que este Papa atrai tanto, como demonstra a audiênciaque todos os anos faz estabelecer novos recordes, e os seus escritos que se tornam verdadeiros best-sellers. As suas palavras oferecem as respostas oportunas da fé aos anseios e às carências profundas do ser humano e do crente, apresentando-as como actuais para a vida concreta dos homens e das mulheres de hoje. À luz da tradição cristã e dos resultados positivos da reflexão humana. Por outro lado, no seu ensinamento — sempre cheio de significados positivos — Bento XVI não se exime do esforço de alcançar as razões últimas da fé e do agir humano e de as acompanhar com a luz imprescindível da Revelação divina e com a necessária história das tentativas — às vezes bem sucedidas e por vezes malogradas — da razão de as alcançar. Graças a Deus, o homem e a mulher de hoje continuam a encontrar no Sucessor de Pedro um autêntico mestre de fé e de humanidade.

Por tudo isto, é estranho que em relação a Bento XVI persistam por um lado os preconceitos e as acusações, que se demonstraram claramente falsos, da parte de quantos vêem nele dureza e severidade e, por outro, as posições daqueles que, com uma atitude pessimista, vêem no ensinamento papal apenas um arsenal de «munições» argumentativas com as quais combater sem hesitações os erros que ameaçam a fé cristã e quantos os propõem. Contudo, sem se valer do magistério papal para responder ao mal com o bem que Bento XVI oferece.

No entanto, é desejável que precisamente através do seu ensinamento rico e fecundo se possa realizar o esforço honesto de ouvir o magistério do Papa com atenção e sentido religioso, de o ler com interesse, de o meditar na oração, de ponderar sobre ele no estudo, de o pôr em prática na vida e de o difundir com os meios à nossa disposição. Em definitivo, trata-se de responder com gratidão a uma verdadeira graça de Deus para a sua Igreja, e de fazer com que ela frutifique, como as sementes, na parábola do semeador.

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23 de Setembro de 2019

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