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​Mãe dos jovens

Maria mãe dos jovens. Não há esta expressão entre as muitas devoções dedicadas à figura da mãe de Cristo. O Papa implicitamente a introduz hoje recomendando a Maria, no seu santuário de Loreto, no dia da Anunciação, a exortação pós-sinodal do Sínodo sobre os jovens. Um gesto, como muitos deste Papa, em perfeita sintonia com o texto do Evangelho: esta maternidade para com os jovens é explicitamente traçada na cena narrada por João, tradicionalmente o apóstolo mais jovem, na qual o mesmo evangelista se encontra aos pés da cruz e é confiado por Jesus a Maria («eis o teu filho»).

Há um vínculo estreito entre os jovens e a figura de Maria, esta jovem de Nazaré que vive a aventura mais extraordinária jamais narrada, um vínculo que se manifesta através de diversos aspetos. Por exemplo, a pressa. Maria acabou de ouvir as palavras do anjo que alteraram a sua vida mas não fica fechada em si mesma, não tarda a partir para ir ajudar a prima Isabel. O anjo Gabriel tinha mencionado a maternidade da idosa parente unicamente para demonstrar a omnipotência de Deus, mas Maria não só ouviu aquelas palavras mas interpretou-as também no horizonte do amor e pôs-se a caminho, sem demora. «Apressemo-nos a amar» como canta o poeta polaco Jan Twardowski e poderia ser o subtítulo da vida de Maria. Encontramos a mesma pressa solícita de mãe amorosa que cuida, no episódio das bodas de Caná. É ela que quase «força» Jesus a manifestar o primeiro sinal da sua glória. «Maria é aquela que apressa “a hora estabelecida”...» escreveu Jean Guitton, do qual nestes dias recordámos o vigésimo aniversário da morte, no seu ensaio A Virgem Maria, considerado por Paulo VI o mais belo dos ensaios dedicados a Maria.

Outro aspeto que liga Maria aos jovens é o da decisão. A juventude é a idade decisiva e Maria viveu plenamente esta dimensão, assumindo sobre si a decisão maior na história da humanidade no dia que hoje a Igreja católica celebra. Um escritor perspicaz como o anglicano Lewis acolheu pessoalmente este aspeto. No ensaio A mão nua de Deus, frisa o facto de que no cristianismo «não se fala minimamente de uma busca humana de Deus, mas de algo feito por Deus para o homem, sobre o homem e em relação ao homem. E a maneira como foi feito é altamente seletivo» e depois de ter percorrido a história do povo eleito observa como «No interior desta nação há outras seleções – alguns morrem no deserto, outros ficam na Babilónia – e depois ainda mais seleções. O processo vai em frente diminuindo cada vez mais o seu campo e no final concentra-se num pequeno ponto luminoso, semelhante à ponta de uma espada. É uma jovem judia absorta em oração. Toda a humanidade (no respeitante à sua redenção) se limitou a este ponto». No procedimento de um dia como tantos na escondida periferia de Nazaré a história da humanidade encontrou-se na sua passagem decisiva e todo o peso daquela história foi colocado nas mãos de uma jovem mulher. Decidir, decidir-se: ser jovens significa isto, e é isto que nos recorda hoje o Papa Francisco em Loreto indo homenagear Maria, pequeno ponto luminoso na grande história da humanidade.

Andrea Monda

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24 de Agosto de 2019

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